26/05/13 – A Santíssima
Trindade
Sl 8; Pv 8. 1 – 4, 22 - 31; At 2. 14ª – 22 - 36; Jo 8. 48 -
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Tema: Comunicando a Trindade
Chegamos ao fim do primeiro semestre
no calendário eclesiástico. Para quem ainda não sabe, o calendário da Igreja
tem as seguintes festas:
Natal: festa que celebramos o amor de Deus
Pai por nós pecadores;
Sexta-feira
Santa, Páscoa e Ascensão: celebramos o amor do Filho que se ofereceu em sacrifício em nosso
lugar;
Pentecostes: celebramos o amor do Espírito Santo
que vem ao nosso encontro e opera a fé em nosso coração.
Mesmo
que iniciemos o segundo semestre do ano da igreja com a festa da Santíssima
Trindade, não temos uma festividade especial para essa data. Mas isso não
invalida o fato de que continuamos a meditar sobre o amor do Deus Triúno. Este
período é designado de “Período da
Trindade,” ou como denominado em nossa agenda litúrgica, Domingos após
Pentecostes.
O
primeiro domingo do segundo semestre é dedicado, de forma especial, à
Santíssima Trindade.
Mesmo
que muitos andam de casa em casa ensinando que não há Trindade, esta doutrina é
ensinada em toda a Bíblia.
As
principais passagens do Antigo Testamento são: Gn 1.1-3, 26 (Jo 1.1-3), Elohim
(plural); Nm 6.24; 2 Sm 23.2; Sl 33.6; 45.6,7; Is 42.1; Is 48.16,17; Is 61.1.
As passagens do Novo Testamento são: Mt 3.16,17; Mt 17.5; Mt 28.19; Jo 14.5; Jo
17.5,24; Rm 8.26,27; 2Co 13.13; 1Pe 1.2. Essas verdades bíblicas foram magistralmente resumidas, após
muitos estudos e orações, nos três Credos Ecumênicos, o Apostólico (AD 200), o Niceno
(AD 325) e o chamado Atanasiano (AD 450).
Desejamos
meditar na doutrina da Santíssima Trindade, analisando os Credos Ecumênicos e
nossas Confissões.
Credos e Confissões
Por que temos Credos
e Confissões?
Hoje,
muitas igrejas não as têm e até as detestam, dizendo: “Isto
é formulação humana. A nós só interessa a palavra de Deus, a Bíblia.” No
entanto, não podemos nos esquecer que Jesus perguntou pela confissão dos
apóstolos: Quem diz o povo que eu sou? E o
apóstolo Pedro confessou: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo (Mt 16.13-16).
Quem
lê a Bíblia é constantemente perguntado:
O que
entendeu? O que crê?
Disto
resulta uma Confissão.
O Credo Apostólico
Quando um cristão vinha de outro
lugar para uma comunidade cristã dizendo ser cristão era interrogado sobre sua
fé. A pessoa respondia com frases tomadas das cartas dos apóstolos. E assim
surgiu o Credo Apostólico, que são
frases das cartas dos apóstolos.
Com
o passar dos tempos, devido às dúvidas sobre muitas doutrinas, o imperador
romano Constantino, convertido ao cristianismo, estava empenhado pela unidade
da Igreja Cristã. Para isso convidou 300 bispo do seu império para a cidade de
Nicéia, na Turquia, para que clarificassem as divergências e buscassem a
unidade da igreja. Assim surgiu em meio a muitos debates o Credo Niceno.
Após
vários outros concílios e estudos surgiu o Credo Atanasiano. Infelizmente isso não evitou o
surgimento de outras doutrinas errôneas.
Deus, a Santíssima Trindade
Muitas perguntas no passado e no presente foram
e são sobre Deus. O assunto Deus sempre esteve em debate. Perguntas como: Quem é Deus? Quantos deuses há? Como posso conhecer a
Deus?
Os
meios de comunicação trazem para dentro de nossos lares diferentes opiniões
sobre Deus, religiões, doutrinas e cultos. A globalização desperta o espírito reducionista
ecumênico que afirma: Há um só Deus.
Todas as religiões são boas, elas só diferem na forma, e o mais importante na
religião é o amor.
E
diante desse reducionismo, a questão que fica sem resposta para muitos continua
sendo Quem é o verdadeiro Deus? Como posso conhecê-lo?
A
natureza e nossa consciência não revelam quem é Deus. Homens não podem
descobri-lo, nem pela ciência, nem pela filosofia. É
preciso que Deus se revele. E em sua Palavra Deus disse que: “Havendo Deus,
outrora, falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas,
nestes últimos dias nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas
as coisas” (Hb
1.1,2).
Deus
se revela à humanidade na Bíblia e somente na Bíblia.
Ele só revelou o que precisamos saber para nossa salvação.
À base da Bíblia, nosso Catecismo Menor afirma: “Deus
é espírito; eterno, onipresente, onisciente, onipotente, santo, justo, verdadeiro,
bondoso, misericordioso e gracioso” (Cat. Menor, perg.
111).
Deus
se revelou como um único Deus, uma só essência divina em três pessoas
distintas: Pai, Filho e Espírito Santo. Este mistério da Santíssima Trindade
nossa razão não consegue compreender.
Há
uma essência divina em três pessoas. Há três pessoas que são divinas, mas eu
não posso dizer que há três deuses. Deus não está dividido em três pessoas, mas
as três pessoas são distintas uma da outra, são divinas, mas em uma única
essência divina. A essência divina das três pessoas é uma só.
Jesus
Cristo
Assim como sempre houve e há duvidas sobre Deus, também houve e há duvidas sobre
a pessoa de Jesus. Quem é Jesus Cristo? A virgem Maria só deu a luz a um homem? Quem morreu na
cruz? Somente o homem Jesus? O Credo Niceno respondeu algumas destas perguntas
e o A Fórmula de Concórdia, confissão da Igreja Luterana detalhou outras.
Muitos
diziam que Jesus era chamado de filho de Deus de uma maneira figurada. Esta
doutrina foi condenada no Concílio de Nicéia e afirmou-se que Jesus é da mesma
essência do Pai. Anunciamos no Credo Niceno: “E um só Senhor Jesus Cristo, Filho unigênito de Deus, nascido do
Pai antes de todos os mundos, Deus de Deus, Luz de Luz, verdadeiro Deus do
verdadeiro Deus, gerado, não criado, de
uma só substância com o Pai, por quem todas as coisas foram feitas... ”
O Credo Niceno afirma que Jesus
realmente é Deus. Maria deu a luz ao Filho de Deus.
Mesmo com essa resposta, surgiram
outras perguntas sobre a pessoa de Jesus e o relacionamento das duas naturezas
de Cristo: a divina e a humana.
Firmados
na Escritura, nossos pais responderam que Jesus Cristo é uma pessoa, não duas, que
tem uma completa natureza divina e uma completa natureza humana. Jesus Cristo é
verdadeiro Deus e verdadeiro homem.
Como se explica isso? Essa união
pessoal das duas naturezas em Jesus Cristo é um profundo mistério (1 Tm 3.16). Para
nos transmitir uma pálida ideia, a Escritura compara essa união com a união entre
corpo e alma, “Nele, habita,
corporalmente, toda a plenitude da Divindade”
(Cl 2.9). À semelhança de corpo e alma as naturezas de Jesus
Cristo permanecem distintas. À semelhança de corpo e alma, a natureza divina de
tal maneira permeia e penetra a natureza humana. A natureza humana é de tal
maneira penetrada pela natureza divina. E assim, ambas naturezas formam uma só
pessoa.
É muito importante sabermos isto. Pois,
em relação à nossa salvação, se perguntamos quem morreu na
cruz? Nossa resposta é que lá morreu Deus. As confissões da Igreja
Luterana respondem corretamente ao dizer que “Portanto, a divindade e humanidade em Cristo é uma só pessoa, a
Escritura, por causa dessa união pessoal atribui também à divindade tudo o que
sucede à humanidade, e vive-versa” (FC DS
VIII.42). Se Deus não houvesse
morrido por nós, mas apenas um homem, estaríamos perdidos eternamente. Se, porém, a
morte de Deus e Deus morto está
na balança, ela desce e nós subimos como prato leve e vazio... (nós, perdoados e absolvidos, justificados,
pela morte de Cristo).
É
correto lembrar que Deus em sua natureza não pode morrer. Mas como, Deus e
homem, estão unidos em uma pessoa, é correto falar sobre a morte de Deus.
Infelizmente,
essa verdade não é aceita por todos. Muitas seitas evangélicas, mesmo se
dizendo evangélicas, não aceitam esta verdade. Julgam que Jesus como homem, seu
corpo, está somente no céu, e ao nosso lado somente Jesus com sua divindade,
como espírito. Por isso também não aceitam o ensino bíblico da Santa Ceia, julgando
ser somente uma lembrança.
Credo Atanasiano
O Credo
Atanasiano é o terceiro e último dos credos ecumênicos. Foi aprovado, provavelmente
no Concílio Calcedônio (a.D. 451) e reafirmado nos Concílios II e III de
Constantinopla (a. D. 553 e 681, 690).
Ele surgiu devido a várias perguntas
teológicas sobre a Trindade.
Inicialmente a redação foi atribuída a
Atanásio. Mas, o Credo foi elaborado por uma comissão. O Credo, firmado na
Bíblia, trata do mistério da Trindade. Não se buscou resolver o mistério da
trindade racionalmente. O limite desse e dos outros Credos é tão somente até
onde a Bíblia o revela. O Credo Atanasiano é o mais teológico dos três Credos.
Um dos aspectos que destaca o Credo
Atanasiano dos dois anteriores são suas frases condenatórias no começo, meio e
fim. E num mundo pós-moderno onde não há verdades absolutas, essas frases
chocam os ouvintes. As frases condenatórias são:
- Aquele que quiser ser salvo, antes de tudo deverá ter a verdadeira
fé cristã. Aquele que não a conservar em sua totalidade e pureza, sem dúvida
perecerá eternamente.
- Aquele, portanto, que quiser ser salvo, deverá pensar assim da
Trindade. Entretanto é necessário para a salvação eterna crer também fielmente
na humanação de nosso Senhor Jesus Cristo.
- Esta é a verdadeira fé cristã. Aquele que não o crer com firmeza e
fidelidade, não poderá ser salvo.
A base bíblica para tais afirmações são
as Palavras do apóstolo João: “Quem é
o mentiroso, senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? Este é o anticristo, o
que nega o Pai e o Filho. Todo aquele que nega o Filho, esse não tem o Pai;
aquele que confessa o Filho tem igualmente o Pai” (1Jo
2.22-23). “E todo
espírito que não confessa a Jesus não procede de Deus; pelo contrário, este é o
espírito do anticristo, a respeito do qual tendes ouvido que vem e,
presentemente, já está no mundo” (1Jo 4.3).
Ainda: “Aquele que tem
o Filho tem a vida; aquele que não tem o Filho de Deus não tem a vida. Estas
coisas vos escrevi, a fim de saberdes que tendes a vida eterna, a vós outros
que credes em o nome do Filho de Deus” (1Jo 5.12-13).
As verdades do Credo Atanasiano são doutrinas fundamentais. Isto precisa ser
ressaltado em nossos dias. E a urgência dessas afirmações decorre da
globalização que traz consigo o reducionismo teológico que nos leva a um falso
espírito ecumênico.
Não foi intenção dos confessores
pronunciar as sentenças condenatórias sobre cristão que devido a certa
simplicidade da mente ou por faltar-lhes melhor conhecimento. O Credo Atanasiano pronuncia a sentença
condenatória sobre aqueles que propositadamente e por obstinação rejeitam estas
verdades reveladas.
Creio
no Deus Triúno.
Jubilo
com milhares de cristãos, dizendo com reverência e em profunda adoração:
Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo, como era
no princípio, agora é e por todo o sempre há de ser.
Amém!
São Leopoldo, 15/05/2013
Distribuido na lista de pastores da IELB em 16/05/13.
autor: Horst R. Kuchenbecker
cortes e pequenas adaptações foram feitas por Edson Ronaldo Tressmann