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terça-feira, 31 de julho de 2012

Conselhos práticos para superar as Diferenças

05/08/12 – 10º Domingo após Pentecostes

Sl 145.10-21; Ex 16. 2 - 15; Ef 4. 1 - 16; Jo 6. 22 - 35

Tema: Conselhos práticos para superar as diferenças.


         Todas as pessoas são diferentes uma da outra. E é justamente dentro da igreja que as diferenças são observadas e até geram certo stress. Afinal, o agir e pensar do outro não me agrada e assim as separações e o afastamento é o efeito da diversidade.
         Sabemos que não somos iguais, mas viver as e nas diferenças não é matéria fácil. Nesse sentido, o texto bíblico de hoje, a pregação do apóstolo Paulo quer nos estimular a agir e reagir na diferença. Se o apostolo Paulo nos ensina em seu sermão sobre isso, podemos observar que o problema é antigo.
         Sempre gosto de ressaltar que uma das maravilhas de Deus, o fato de sermos diferentes, sermos seres únicos, é usado como arma do inimigo para nos destruir através do isolamento. E para evitar a desgraça que o inimigo quer causar na igreja, no corpo de Cristo, o apostolo Paulo nos dá conselhos práticos assim como fez aos cristãos de Éfeso. Vamos ouvir e aprender Conselhos práticos para superar as diferenças.
         O apóstolo Paulo foi um daqueles pastores prático. E sua praticidade é visível nas suas 13 cartas registradas na Bíblia. O capítulo 3 de Efésios é uma excelente amostra disso. Nesse capitulo recebemos o ensino de que o grande mistério de Deus é ter unido pela fé numa mesma igreja judeus e não judeus. Conforme o apóstolo Paulo a fé é o maior e melhor presente que Deus havia concedido àqueles cristãos em Éfeso, “Pois pela graça de Deus vocês são salvos por meio da fé. Isso não vem de vocês, mas é um presente dado por Deus” (2.8).
         Sempre quando falamos de Deus, atribuímos ao Pai a obra da criação, ao Filho a obra da redenção e ao Espírito Santo a obra da santificação. E a obra da santificação consiste em operar a fé por meio do Batismo e da Pregação da Palavra, e junto à fé, nos dá dons, capacidade para agirmos em favor de todos, para o bem de todos e não apenas para uso particular. Observemos que os dons partem do maior e melhor dom, a fé.
         Na unidade da fé somos uma família. E como família, cada um é diferente. Os dons, distribuídos para unir, pois aquilo que me falta encontro no meu irmão, estava causando desunião e discórdia em muitas comunidades naquela época, bem como em Éfeso. Como o diabo é ardiloso! Dons são presentes extraordinários. Deus quer que seu corpo, a igreja, funcione através de todos os dons. Mas, nosso inimigo que não quer o bem da igreja, dispersa a todos através do ciúme, inveja e acomodação.
         Para resolver essa situação Paulo dá conselhos práticos aos cristãos, e esses conselhos valem para nós ainda hoje em pleno século XXI.
         Toda vez que o apóstolo Paulo fala sobre o uso dos dons, ele usa a metáfora do corpo. E nesse sentido, sempre instrui a todos que o objetivo dos membros do corpo não é desunir o corpo, mas unir o mesmo, fazer com que o corpo funcione em harmonia. Todos os membros do corpo são diferentes, mas cada um exerce uma função importante para todo o conjunto, para edificação do próprio corpo.
         Da mesma forma Paulo ao usar essa metáfora na questão dos dons, que são diferentes, ele instrui que esses dons não foram dados por Deus para beneficio próprio. O propósito de Deus é comunitário. O objetivo principal é enriquecer a igreja que é o corpo de Cristo. Com a diferença de dons, Deus está interessado na saúde interna da igreja, pois ao dar dons, deseja unir a igreja, e essa união não vem de nós, mas como diz Paulo no v.3 “Façam de tudo para conservar, por meio da paz que une vocês, a união que o Espírito dá”. É o Espírito que nos une, na mesma fé, num único e verdadeiro Deus. E nisso consiste a obra da santificação.
         Deus sempre atuou na história para nos unir a Ele novamente. Deus enviou seu Filho Jesus Cristo para nos salvar. Deu e dá o seu Espírito para nos trazer à fé verdadeira. E junto à fé nos capacita para o seu serviço, dando a cada um de nós dons. E pelas vocações enriquece o corpo que é a igreja, atua na família e na sociedade.
         Deus concede a sua igreja pastores, leigos, servas fiéis e consagradas, músicos, oradores, belíssimos talentos de trabalho com ornamentação, pessoas que se dispõe a limpar a igreja, dá ainda pessoas que ofertam o máximo para manter a pregação, etc. E tudo isso é concedido pelo Espírito para que o corpo se desenvolva. E nesse desenvolvimento, em meio a todas essas coisas maravilhosas, infelizmente o que acaba acontecendo? A velha natureza, o pecado, nos conduz ao egoísmo e individualismo. E assim a destruição do corpo de Jesus Cristo. E todo o propósito de Deus, que é unir a igreja, acaba servindo de base para que as pessoas se desunam e deixem que a igreja fique doente.
         Somos unidos na fé, mantidos unidos numa mesma igreja cristã espalhada pelo mundo inteiro, e tudo isso é feito por Deus para o bem comum. E sendo tudo para o bem comum, façamos de tudo para manter o bem comum. Esse é o conselho prático do apóstolo Paulo.
         No corpo de Cristo que é a igreja, não existe um dom melhor que o outro, existe sim, um elo que nos une apesar de todas as diferenças, esse elo é a . Na fé somos membros do corpo de Cristo, somos filhos do mesmo Pai, e habita em nós o mesmo Espírito. Pela Fé somos aceitos por Deus, como disse Jesus: “Não foram vocês que me escolheram; pelo contrário, fui eu que os escolhi para que vão e dêem fruto e que esse fruto não se perca. Isso a fim de que o Pai lhes dê tudo o que pedirem em meu nome” (Jo 15.16), e o apóstolo Paulo afirma: “Pois o evangelho mostra como é que Deus nos aceita: é por meio da fé, do começo ao fim. Como dizem as Escrituras sagradas: “Viverá aquele que, por meio da fé, é aceito por Deus” (Rm 1.17). Deus nos aceita pela Fé que é um presente dado por Deus. Somos escolhidos por Ele, e pela fé somos capacitados a produzir frutos através dos dons que Deus nos dá. E esses dons têm como objetivo refletir o verdadeiro DOM, a FÉ através da vida que faz uso correto dos seus dons.
         E pelo maravilhoso dom da fé, somos aconselhados pelo apóstolo Paulo a fazer de tudo para conservar por meio da paz que nos une a união que o Espírito dá. Somos aconselhados a permanecer amarrados, ligados, assim como todas as partes do corpo são ligadas. Só podemos nos manter unidos por causa da unidade que também há em Deus Pai, Filho e Espírito Santo. Três pessoas, um só Deus, mas todos trabalham juntos para nosso bem, para nossa salvação.
         Dentro da igreja que é o corpo de Cristo, não importa qual seja o dom, não há um dom melhor que o outro. Através de nossos dons, Deus une a igreja. E a igreja é mantida pelo amor de Deus.
         Vale ressaltar a palavrinha “amor”. O termo é “ágape.” Ou seja, amor de Deus por nós. E ao usar essa palavra o apóstolo de certa forma está aconselhando a cada cristão a tomar uma atitude madura e sadia em prol do seu irmão, que tem um dom para servir, mas que possui o mesmo dom, a fé. Ao fazer uso do termo ágape, palavra quem do vocábulo agan, somos remetidos a um conselho prático. Somos ensinados a agir, sem nos importar com qual é o dom da outra pessoa, mas, recebê-la com alegria; acolhe-la e amá-la ternamente. Como diz a própria sequência do texto: estar satisfeito, estar contente sobre ou com as coisas que temos recebido. Isso inclui os dons que Deus nos concede.
         Ser invejoso com o dom do outro, é estar agravado pelo dom recebido de Deus.
         Não podemos como corpo de Cristo, nos desunir, por estarmos insatisfeitos com aquilo que recebemos de Deus. Afinal, o que era necessário para a salvação, Deus nos concedeu e concede: a FÉ.
         Não podemos como corpo de Cristo, estando na mesma fé, e tendo um só Senhor, nos desunir começando a classificar esse dom e aquele como melhor que outro. Todos os membros do corpo são importantes. E tudo o que Deus fez e faz é para unir a igreja. Ele deu e dá à sua igreja a Palavra, os Sacramentos. Meios pelos quais Deus fala e alimenta seu corpo. E por esses alimentos une cada vez mais pessoas diferentes num mesmo corpo e Espírito.
         Conselhos práticos para superar as diferenças. Essa é a lição desse texto. E tendo aprendido essas lições que as atitudes egoístas e individualistas sejam evitadas. Recebemos do apóstolo Paulo conselhos práticos para conviver em meio ao único dom que é a fé exercendo os nossos muitos dons.
         Que façamos com amor, tudo para preservar a união que o Espírito nos dá. Com amor, através dos nossos dons, recebamos todos com alegria, acolhendo e amando ternamente a todos os irmãos. Afinal de contas, dom por dom, todos nós temos um único e maravilhoso dom idêntico, a FÉ. E pela FÉ somos salvos.
         Termino com as palavras da espístola de Judas: “Porém vocês, meus amigos, continuem a progredir na fé, que é a fé mais sagrada que existe. Orem guiados pelo Espírito Santo. E continuem vivendo no amor de Deus, esperando que o nosso Senhor Jesus Cristo, na sua misericórdia, dê a vocês a vida eterna” (Jd 20-21)
Edson Ronaldo Tressmann
(44) 9856 8020

terça-feira, 24 de julho de 2012

Deus promete se lembrar

29/07/12 – 9º Domingo após Pentecostes
Sl 136. 1 - 9; Gn 9. 8 - 17; Ef 3. 14 - 21; Mc 6. 45 - 56

Tema: Deus promete se lembrar

 
         Depois de um ano e dezessete dias trancados numa arca, a família sai. Foram dias em que o pensamento estava voltado para toda uma geração que havia sido destruída. Pessoas que tiveram 120 anos de chance. Chance para se arrepender, voltar de seus caminhos errados e estar com Deus. Foram 120 anos de oportunidade jogados fora.
         A família de 8 pessoas estava ali, dentro da arca, protegidos. Mas, após 1 ano e 17 dias, era momento de sair. Como encarar o novo mundo? Afinal, apenas eles eram os habitantes. Como tudo estava? Noé e sua família, não estava preocupado com essas coisas e nem sequer em observar esses detalhes. Diz o texto que a sua primeira preocupação foi prestar culto a Deus.
         Atualmente nosso desejo é viver trancado. Afinal, aquilo que motivou a destruição do mundo, a violência, ainda nos assusta. O mundo da época de Noé não é diferente do mundo atual. É só olharmos os noticiários. É só convivermos com o ser humano. É só observarmos as igrejas, estão vazias, afinal, todos estão vivendo suas vidas tranqüilas como se tudo fosse melhorar, e assim não escutam a  pregação da palavra de Deus, não valorizam os sacramentos, e quando menos esperarem, o fim chegará. E infelizmente muitos estarão fora da arca, assim como estiveram milhares nos dias de Noé.
         O abrir a porta da arca foi um momento emocionante. Descer da arca e descobrir o novo mundo foi um desafio. O mundo estava arrasado, mas não por completo, afinal, com Noé e sua família estava tendo um novo inicio. Mesmo que reiniciada, é continuação da história antiga. Afinal, os que iriam reiniciar a mesma história, ainda tinham em si a doença que levou milhões a morte: o pecado. No entanto, era necessário continuar.
         Como continuar se tudo estava destruído? Noé ofereceu sacrifício a Deus. E esse sacrifício agradou a Deus.
         Em Jesus nosso culto é agradável a Deus. No culto Deus se encontra conosco em Jesus, pela Palavra e pela Santa Ceia. E ao se encontrar conosco, Deus em seu amor derrama sobre nós suas bênçãos: perdão, vida e salvação. E pela bênção de Deus podemos continuar a comunicar a vida, mesmo em meio a um mundo habitado por pecadores, entre os quais estamos nós, os que comunicam a vida.
         Deus nos capacita a continuar vivendo sob a sua bênção num mundo corrompido pelo pecado. E mesmo em pecado, Deus se lembra de nós a cada novo dia.
         Deus se arrependeu de ter feito o homem. Com certeza, isso pesou em seu coração. Talvez alguns pensem que Deus não foi amoroso ao destruir a raça humana. Mas, justamente por pensar na humanidade que Deus em seu amor permitiu a continuação da raça humana por meio de Noé. Deus se lembrou do compromisso que tinha com Adão e Eva, e com toda a humanidade. Deus se lembrou do compromisso da redenção, da salvação. Por isso enviou seu filho ao mundo para pagar o preço pelo resgate da humanidade.
         Em nosso texto, Gn 9. 8 – 17, a frase: “lembrarei” significa que Deus está concedendo atenção especial e não que o tivesse esquecido. (Ex 6.5; Sl 74.2; 89.48). E a atenção especial dada ao homem, foi permitir que através dessa raça humana, continuada em Noé, o salvador viesse ao mundo para salvar o mundo.
         A primeira imagem do dilúvio é a que Deus se arrependeu e esqueceu do ser humano. No entanto, isso não é verdade. Ao conservar a raça humana e permitindo que a mesma tivesse um novo inicio, de fato, estava se lembrado do destino eterno do homem. E para esse reinicio Deus prometeu se lembrar da sua aliança com a humanidade.
         O cuidado especial de Deus se manifesta através do agir na história em seu favor para redimir a própria raça humana.
         O sentido básico do verbo “lembrarei” é prestar atenção. A lembrança implica em libertação ou preservação do povo. E a preservação do povo consistia na vida continuada e enfatizada pela ordem de que nenhum homem fosse morto. Deus amou e ama sua criatura, pois o mesmo foi feito a imagem e semelhança dele.
         Noé era fruto de sua geração. A geração havia sido destruída, mas o sintoma da maldade, da violência continuava nessa nova geração. Por isso, aproximar-se de Deus era e é necessário. O pecado não havia sido abolido, ele fazia e faz parte da raça humana. Assim, Deus estabeleceu uma aliança com seu povo.
         A teologia da aliança é um tema unificador de todo o Antigo Testamento. As pessoas consideravam as divindades como originadoras do mal. Se eu não cumprir isso, “estarei ferrado.” O sacrifício era entendido como algo necessário para se agradar um Deus irado. Noé ao sair da arca ofereceu sacrifício a Deus em sinal de gratidão. E diante do sacrifício que agradou a Deus, o próprio Deus disse que não voltaria a destruir o mundo com o dilúvio, pois “... é mau o desígnio íntimo do homem desde a sua mocidade; nem tornarei a ferir  todo vivente, como fiz” (Gn 8.21).
         O pecado não é obra de Deus. É o vírus lançado pelo diabo para destruir a raça humana. E esse mesmo vírus continua destruindo lares, famílias, pessoas, igrejas, sociedades.
         Deus em seu amor e misericórdia continuou a vida e com a sua bênção deseja que essa vida continue sendo valorizada por nós.
         Deus espera de nós, corações arrependidos, pois o verdadeiro sacrifício foi oferecido por ele mesmo, ao entregar seu Filho para morrer pelos nossos pecados. E o sacrifício de Jesus é agradável a Deus. E estando em Jesus, estamos em paz com Deus e em paz com Deus, podemos continuar nesse mundo, sem nos trancar, mas livres e comunicando a liberdade que temos em Cristo.
         O diabo deseja que continuemos olhando para fora e nos tranquemos em nossas casas. O fruto do pecado, a violência, tragédias, nos assustam e paralisam. Deus em seu amor nos regenera pelo batismo e pela pregação da palavra para que abençoados continuemos a agir nesse mundo pecador como pecadores, mas perdoados em Cristo.
         Somos justos num mundo pecador. Somos pecadores buscando em Jesus a justiça para continuar agindo nesse mundo. Mundo que aguarda o grande dia da libertação, o grande dia que teremos as portas do paraíso abertas para todos aqueles que creram, crêem e crerão em Jesus. Deus prometeu se lembrar da sa aliança. Deus nos oferece e dá atênção especial em Jesus. Amém!
Pr. Edson Ronaldo Tressmann

segunda-feira, 16 de julho de 2012

O Senhor é meu Pastor


22/07/12 – 8º Domingo após Pentecostes
Sl 23; Jr 23. 1 - 6; Ef 2. 11 - 22; Mc 6. 30 - 34

Tema: O Senhor é meu Pastor.

        Duas verdades sobre Pastor.
        Primeira noticia verdadeira:
        Cinco pastores evangélicos ligados à igreja Assembléia de Deus foram presos em três Estados na quarta-feira (dia 11/07/12), suspeitos de aplicar golpes de venda de veículos muito abaixo do valor. Segundo a Polícia Civil do Rio Grande do Sul, 40 pessoas foram lesadas. Após 11 meses de investigações, a polícia civil de Veranópolis que comandou a operação “Deus tá vendo”, prendeu dois suspeitos em Itajaí (SC), dois em São Gonçalo (RJ) e um em Ponta Grossa (PR). Uma mulher ainda segue foragida. De acordo com o delegado Álvaro Becker, os estelionatários enganavam as vítimas dizendo que os automóveis eram apreendidos pela Receita Federal em Foz do Iguaçu e doados à Assembléia de Deus para angariar recursos. "Uma Chevrolet Captiva, por exemplo, que custa R$ 90 mil, era vendida por R$ 30 mil", revela Becker, que presidiu o inquérito. O lucro obtido pela quadrilha somente no Rio Grande do Sul chega a R$ 1,2 milhão. De acordo com o delegado, eram oferecidos carros, caminhões e até ônibus. Os veículos, no entanto, nunca eram entregues. Para enganar as vítimas, uma mulher identificada como Andreia, que segundo a polícia era a mentora do esquema, se passava por promotora e juíza e levava documentos que comprovariam a legalidade do negócio. A mulher, que seria amiga de um pastor, já respondeu por estelionato. O esquema começou em 2010 no Rio de Janeiro e se ramificou nos outros Estados após Andreia fazer contatos com os demais pastores. Segundo o delegado Becker, o dinheiro era depositado na conta de laranjas e receptado na cidade de São Gonçalo, no Rio de Janeiro. Os cinco pastores estão em prisão temporária. Eles responderão pelos crimes de estelionato e formação de quadrilha.
        Segunda noticia verdadeira:

        Quando ouvimos a primeira noticia que fala sobre os 5 pastores presos, precisamos reconhecer e nos lembrar que também os pastores são falhos. Como pecadores necessitamos da orientação do Bom Pastor descrito na segunda noticia.
        Muitos de nós temos decorado o Salmo 23. E assim, julgamos que não há ensino que podemos tirar desse salmo. No entanto, quero proporcionar a vocês a imagem que Davi faz da ovelha.
        Davi descreve a ovelha como aquela que não questiona os caminhos e a liderança do pastor. Sempre pensamos na figura do pastor. No entanto, é necessário olhar e ver o porque da ovelha chamar e reconhecer o seu pastor de Senhor Pastor.
        A noticia dos 5 pastores deprecia o nome e a figura do pastor. Assim, muitas são as ovelhas que acabam abandonando o aprisco eclesiástico, julgando que o nosso Senhor, o Pastor age igualmente o guia espiritual terreno.
        Conforme o censo do IBGE, o numero de ateus que a 20 anos atrás eram de 1% agora somam 12 milhões, ou seja, 7,3%, a metade da população evangélica do Brasil que é de 26%. Observemos o grandioso aumento dessa população denominada atéia. Podemos assemelhá-los com a multidão diante de Jesus: “...ovelhas que estão sem pastor”. Mas, apenas os ateus estão sem pastor? Não. Temos muitas ovelhas nos apriscos eclesiásticos que ainda não conhecem a verdadeira figura do Senhor Pastor. Muitas ovelhas continuam sendo guiadas pelo cabresto da lei. Tratadas como animais que necessitam do chicote ao invés da liderança zelosa e amorosa.
        Davi foi pastor de ovelhas durante muitos anos. Ele sabia que era imprescindível para as ovelhas que o pastor fosse zeloso e cuidadoso. Ele precisava estar atento ao ataque do lobo. Levar as ovelhas onde tivesse boa pastagem e proporcionar a elas um local com água fresca e boa sombra.
        Sem o pastor, as ovelhas estariam completamente perdidas. Mas, se as ovelhas não confiassem na direção e liderança do pastor, elas não o seguiriam e assim se perderiam e morreriam pelo caminho.
        O pastor de ovelhas era importante por 4 fatores: 1. O pastor supre as necessidades de alimentação e abrigo; 2. O pastor protege. 3. O pastor guia, mostrando o caminho quando a ovelha está confusa. 4. O pastor corrige.
        Quem de nós não gostaria de ter um pastor assim! E a boa noticia, é que nós temos esse pastor. Uau! Que beleza!
        E esse é o pastor apresentado por uma ovelha confiante no salmo 23.
        A ovelha cita o nome do pastor ao dizer: Yahweh Roi, o Senhor é meu pastor.
        “O Senhor é o meu pastor:...” (Sl 23.1).
        Há muitas ovelhas feridas que não conhecem o verdadeiro pastor. Temos ovelhas feridas pela lei, guiadas pelos chicotes dos ditadores legalistas. Que esbravejam e desejam a todo custo fazer de suas ovelhas uma boiada que precisam de cercas elétricas para permanecer no curral. Há também aquelas ovelhas que abandonaram o aprisco devido às noticias ruins, assim como a desses 5 pastores presos.
        “O Senhor é o meu pastor: ...” (Sl 23.1).
        Davi, a exemplo de cada um de nós estava passando por um momento muito difícil na sua vida. Absalão, seu filho, planejava uma rebelião para tirar o pai do trono real. Davi precisou fugir de Jerusalém e ficar um tempo escondido (Sl 4:8; 3:7; 27:4; 63). Não foi um tempo fácil. Afinal ninguém quer ser passado para trás, principalmente pelo próprio filho.
        A relação do Senhor com a raça humana é a relação de um pastor com suas ovelhas. A imagem e figura do pastor precisam ficar visível em nossa mente e coração. Afinal, a imagem do Senhor Pastor está corrompida devido a muitos pastores fazer um péssimo uso da função.
        "O Senhor é o meu pastor:... "
        Você tem um pastor? Não estou me referindo aos pastores humanos que são pecadores como as ovelhas. Refiro ao verdadeiro pastor.
        Pergunto, pois, infelizmente, muitos não têm e não conhecem esse Pastor. Há outros pastores que estão conduzindo a vida de milhares, e infelizmente é uma condução para o caminho do vale de lágrima e escuro. Há o pastor trabalho. Esse apenas te cansa e te enche de stress. E como diz o salmista se o pastor verdadeiro, o Senhor, não edificar a casa, não adianta nada trabalhar para construi-la. Há o pastor lazer, esse apenas quer te proporcionar descanso, mas que nunca te satisfaz, pois não há ainda o repouso seguro. Há o pastor consumismo, dinheiro, que conforme Paulo está tirando muitos da fé e enchendo a vida de muitos de sofrimento.
        O Senhor é o meu pastor: ...
        Se Deus em Jesus tem uma relação comigo. Da mesma forma, em Jesus pela fé, ele quer que eu tenha uma relação com ele. E nessa relação, o x da questão está em ser uma ovelha confiante. Uma ovelha que mesmo estando caminhando por um vale escuro como a morte, e num vale de lágrimas, repousa na certeza de que o Senhor Pastor o está conduzindo e ajudando a atravessar esses temporais e dificuldades. Uma verdadeira ovelha caminha confiante na liderança e na condução do bom pastor Jesus.
        O Senhor é o meu pastor:...
      O que significa ser o Senhor? Significa estar no controle. Significa que para a ovelha basta caminhar, pois a condução está com nosso Senhor e Pastor Jesus. Ele está no controle, nada me faltará. Com Jesus estou sendo conduzido as águas tranquilas, onde minha sede é saciada, “mas a pessoa que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede...” (Jo 4. 14). Em Jesus tenho minhas forças renovadas, “Com a força que Cristo me dá, posso enfrentar qualquer situação” (Fp 4.13). Em Jesus sou guiado por caminhos certos, “...Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém pode chegar até o Pai a não ser por mim” (Jo 14.6).
        O Senhor é o meu pastor:...
        Essa é a confissão de uma verdadeira ovelha. Disse Jesus, o verdadeiro pastor: “Eu sou o bom pastor. Assim como o Pai me conhece. E eu conheço o Pai, assim também conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem. E eu estou pronto a morrer por elas” (Jo 10. 14 – 15). Nosso bom pastor Jesus conhece suas ovelhas, pois ele conhece nosso coração, conhece onde e em qual tipo de pastor estamos colocando a nossa confiança. E nos convida a continuarmos nele: “As minhas ovelhas escutam a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem” (Jo 10.27).
        O Senhor é o meu pastor: ...
        Este salmo fala de um relacionamento pessoal de Deus com suas ovelhas e das suas ovelhas com Deus. Deus se fez homem em Jesus que ocupou o nosso lugar. Ele veio para derrotar o lobo que queria e continua querendo devorar o rebanho.
        Jesus é o Senhor. Você não precisa da religião como um lugar onde descansar e buscar alivio. Você precisa do relacionamento com Deus em Jesus. E essa relação ocorre através da fé. Fé oferecida e dada pela pregação das Escrituras. Essa relação inicia no batismo. Essa relação continua na santa ceia. E assim, Jesus, o Senhor, o pastor te oferece e dá: descanso eterno, renova suas forças, guia por caminhos certos, te protege e dirige e te recebe como um convidado de honra no banquete celestial.
        Não é o bom pastor que depende de mim. Sou eu que dependo dele. Pois sem ele não encontro esse descanso eterno e nem sequer nessa vida.
        Deus nos abençoe e que possamos a cada novo dia confessar: O Senhor é o meu pastor:.... Amém!
Pr Edson Ronaldo Tressmann

terça-feira, 10 de julho de 2012

Deus apresenta pela boca do seu profeta o prumo que está em sua mão

15/07/12 – 7º Domingo após Pentecostes
Sl 85. 8 - 13; Am 7. 7 - 15; Ef 1. 3 - 14; Mc 6. 14 – 29
Enfoque mensal: Férias Fundamentadas em Jesus
Tema: Deus apresenta pela boca do seu profeta o prumo que está em sua mão.

Amós
Contexto pessoal
         No versículo 14 do texto de Amós capitulo 7 temos a descrição da profissão do profeta: “pastor de ovelhas e cuidador de figueiras.” Assim sendo, observamos que ele estava próximo ao povo simples, e também da classe média do Reino do Sul (Judá).
         O profeta Amós não esteve somente em Jerusalém, mas também nos mercados do Reino do Norte (Israel) em transações comerciais. Ele testemunhou com seus próprios olhos tudo que se passava na vida das pessoas, seja em termos religiosos, econômicos e comerciais.
Contexto Histórico
        Internacionalmente o período era de vácuo de poder. A Assíria havia perdido momentaneamente a sua impiedosa agressividade. Damasco não incomodava mais ninguém. Jeroboão II e Uzias reconquistaram territórios perdidos anteriormente. O país estava fortalecido e ampliado. Desde o período de Salomão, os dois reinos juntos, agora eram os maiores.
         Internamente o cenário internacional revela que eram tempos de bonança para ambos os reinos. Os sucessos militares transmitiram ao povo segurança interna e prosperidade econômica. É justamente o que acontece no Brasil hoje. Estamos nos sentindo seguros para investir, afinal a taxa de empregos aumentou e desemprego diminuiu. Temos uma moeda que consegue manter-se equilibrada. Assim como naquele período, estamos vivendo vidas abastadas em meio ao luxo a festas.
         Mas, e a realidade religiosa?
         O profeta Amós percebeu a podridão atrás das aparências. Havia um enorme abismo entre ricos e pobres. Os ricos cada vez mais ricos à custa dos pobres que ficavam cada vez mais pobres. O profeta presenciou a injustiça social, o suborno às autoridades, a opressão.
         Era uma situação terrível, assim como é terrível a situação brasileira. Há indícios de corrupção, seja no legislativo, no executivo e no judiciário. A impressão é que a casa caiu e ficamos a espera de alguém que realmente e verdadeiramente ponha tudo no lugar. Quanta podridão! Quanta bandidagem!
         Naqueles dias as igrejas andavam cheias. Pessoas ofertavam. No entanto, Amós percebeu a raiz do problema social da época. A prosperidade era sinal da aprovação divina.
         Como relacionar esse cenário conosco?
         O problema nosso de cada dia nos dá hoje – temos o mesmo problema teológico daquele período. Pessoas cultuavam a Deus com o intuito de garantir o seu favor. E a exploração, a injustiça social se tornou uma espécie de retribuição, “bênção divina. Muitos estão ficando ricos sem se importar como. A bênção, infelizmente não foi derramada por graça, mas sim comprada. O custo foi de 10% da renda que não se sabe a origem.
         Disse o sábio rei Salomão: “O que aconteceu antes vai acontecer outra vez. O que foi feito antes será feito novamente. Não há nada de novo neste mundo” (Ec 1.9). E aqui estamos nós. Vivendo uma realidade idêntica a do povo do antigo testamento. Sendo assim podemos ouvir as mesmas palavras as quais o profeta Amós ouviu e transmitiu ao povo.

Imagem do prumo

7.7 Mostrou-me também isto: eis que o Senhor estava sobre um muro levantado a prumo; e tinha um prumo na mão. 7.8 O SENHOR me disse: Que vês tu, Amós? Respondi: Um prumo. Então, me disse o Senhor: Eis que eu porei o prumo no meio do meu povo de Israel; e jamais passarei por ele. 7.9 Mas os altos de Isaque serão assolados, e destruídos, os santuários de Israel; e levantar-me-ei com a espada contra a casa de Jeroboão. 7.10 Então, Amazias, o sacerdote de Betel, mandou dizer a Jeroboão, rei de Israel: Amós tem conspirado contra ti, no meio da casa de Israel; a terra não pode sofrer todas as suas palavras. 7.11 Porque assim diz Amós: Jeroboão morrerá à espada, e Israel, certamente, será levado para fora de sua terra, em cativeiro. 7.12 Então, Amazias disse a Amós: Vai-te, ó vidente, foge para a terra de Judá, e ali come o teu pão, e ali profetiza; 7.13 mas em Betel, daqui por diante, já não profetizarás, porque é o santuário do rei e o templo do reino. 7.14 Respondeu Amós e disse a Amazias: Eu não sou profeta, nem discípulo de profeta, mas boieiro e colhedor de sicômoros. 7.15 Mas o SENHOR me tirou de após o gado e o SENHOR me disse: Vai e profetiza ao meu povo de Israel

   A missão do profeta Amós naquela época e hoje ainda, já que não há nada de novo debaixo do sol, é mostrar ao povo desde o mais humilde ao mais poderoso que a situação é gravíssima, mas que há apenas uma alternativa. Deus apresenta pela boca do seu profeta o prumo que está em sua mão.
         Pra que serve um prumo? Você conhece um prumo? Um prumo é um instrumento que orienta na edificação de paredes. Ele mostra onde está torto e o quanto precisa endireitar. O prumo apresenta a gravidade da situação a qual o povo de Israel estava envolvido.
         Ao apresentar essa visão ao profeta, Deus estava alertando que seu povo estava torto. Estava fora da orientação de Deus. E claro, conforme o texto, a reação é imediata.
         No reino do Norte, em Israel, o sacerdote oficial, da parte da rei era Amazias. E para Amazias, Amós era um intruso. Estava conspirando contra o rei, pois falava de destruição do santuário nacional que estava localizado em Betel. Amazias faz a denuncia e depois fala de expulsão do profeta Amós.
         Amazias, como se diz, “tinha as costas largas.” Afinal, era o sacerdote oficial do reino em Israel. Com certeza sua palavra seria ouvida e acatada.
         Talvez isso nos deixaria assustados. No entanto, Amós respondeu da seguinte maneira: “Não sou profeta por profissão; não ganho a vida profetizando. ...” (Am 7.14a).
         Amós diz que, ao contrário de Amazias, não apela ao rei ou a sua profissão. Ele responde que não está lá para atacar Amazias para roubar-lhe seu ganha pão. Mas está lá profetizando por ser missão divina. O profeta Amós está transmitindo que Deus, por amor a Israel o enviou porque quer e deseja seu arrependimento. O amor de Deus é apresentado pela quantidade de profetas que havia em Israel, sendo maior que em Judá.
         Nossa mensagem continua sendo a do profeta Amós: “Não sou profeta por profissão; não ganho a vida profetizando. ...” (Am 7.14a). Não estamos aqui pregando simplesmente por salário, mesmo que sejamos dignos e merecedores do mesmo. No entanto, como bem disse o apostolo Paulo: “Nós não somos como muitas pessoas que entregam a mensagem de Deus como se estivessem fazendo um negócio qualquer. Pelo contrário, foi Deus quem nos enviou, e por isso anunciamos a sua mensagem com sinceridade na presença dele, como mensageiros de Cristo” (2Co 2.17). Falamos da parte do próprio Deus. E se assim o fazemos, fazemos para lhes apresentar o verdadeiro amor de Deus. Amor revelado em seu Filho Jesus Cristo.
         Estamos inseridos numa sociedade corrupta, onde a cada novo dia observamos e vemos que a casa está caindo. Não precisamos esperar por um super herói, afinal, como filhos de Deus pelo batismo que somos, nós estamos nesse mundo para alertar as pessoas e chamá-las de volta a Deus. E tendo voltado a Deus, estaremos num feliz e abençoado recomeço.
         Os Amazias continuarão a nos atacar. E como o fazem? Não falam sobre pecado, não convidam ao arrependimento, não transmitem o conforto e a segurança do perdão que temos em Jesus. Os Amazias que mercadejam a palavra de Deus irão continuar com suas pregações distorcidas, sem se importar como você arrecada seu dinheiro, pois para eles o que lhes vale e que você os encha do mesmo.
         Deus apresenta pela boca do seu profeta o prumo que está em sua mão. O prumo de Deus continua estendido sobre muitos.  Deus vê o quanto está torto, e lhe convida ao arrependimento. E ao arrependido anuncia e dá seu perdão.
         Contiuemos a exemplo de Amós e também o apóstolo Paulo a pregar o evangelho:
1.4 Antes da criação do mundo, Deus já nos havia escolhido para sermos dele por meio da nossa união com Cristo, a fim de pertencermos somente a Deus e nos apresentarmos diante dele sem culpa. Por causa do seu amor por nós, 1.5 Deus já havia resolvido que nos tornaria seus filhos, por meio de Jesus Cristo, pois este era o seu prazer e a sua vontade. 1.6 Portanto, louvemos a Deus pela sua gloriosa graça, que ele nos deu gratuitamente por meio do seu querido Filho. 1.7 Pois, pela morte de Cristo na cruz, nós somos libertados, isto é, os nossos pecados são perdoados. Como é maravilhosa a graça de Deus, 1.8 que ele nos deu com tanta fartura! Deus, em toda a sua sabedoria e entendimento, 1.9 fez o que havia resolvido e nos revelou o plano secreto que tinha decidido realizar por meio de Cristo. 1.10 Esse plano é unir, no tempo certo, debaixo da autoridade de Cristo, tudo o que existe no céu e na terra. (Ef 1. 4 – 10, NTLH)

         Como é maravilhosa a graça de Deus, pois por amor apresenta pela boca do seu profeta o prumo que está em sua mão. E que essa graça seja para nós aproveitada como Deus em Jesus nos dá, com muita fartura! Pois de um povo rebelde, fez nascer seu filho para um povo rebelde. E a nós, filhos e filhas rebeldes oferece a dá a sua maravilhosa graça em Jesus. 
         E que Deus Espírito Santo nos ajuda a aproveitar essa maravilhosa graça de Deus em Jesus. Amém!

Edson Ronaldo Tressmann

terça-feira, 3 de julho de 2012

08/07/12 – 6º Domingo após Pentecostes
Sl 123; Ez 2. 1 - 5; 2Co 12. 1 - 10; Mc 6. 1 - 13

Tema: Admirado: permaneça humilde.


            Se eu contar ninguém acredita”. Já ouviram essa frase?
            Os programas de TV apelam para fatos estranhos, inacreditáveis, admiráveis e fazem um tremendo sucesso. Quem de nós já não assistiu; “Mundo Perdido”; reportagem ou programas sobre suposta aparição de “Ovinis”; quebra de “Recordes Mundiais”; “Curas e milagres”? Coisas admiráveis nos prendem diante da TV.


            Todos nós nos admiramos com algo. “Se eu contar ninguém acredita”. Até Jesus, o próprio filho de Deus, ficou admirado, na verdade, assombrado. No entanto a sua admiração, ou assombro, foi à falta de fé dos nazarenos. O evangelista João Marcos diz: “E ficou admirado com a falta de fé que havia ali” (Mc 6.6).

            O que te deixa admirado? As curas? Os milagres? A falta de fé do seu vizinho ou familiar?

Admirado: permaneça humilde.

            O verbo “thaumázo” - significa “maravilhar-se, ficar atônito.” Aparece apenas duas vezes nas Escrituras. Precisamos entender que Jesus não ficava atônito por qualquer coisa, afinal ele é Deus. Ele criou o mundo, assim, nenhum fenômeno da natureza, por mais estranho que fosse lhe causaria assombro. E por que será que Jesus se assombrou, ficou atônito na sua própria cidade, Nazaré? A resposta é do povo: “...ficaram desiludidos com ele” (v.3).
            As pessoas de Nazaré ficaram desiludidas com Jesus.
            Escutaram seus ensinos na sinagoga e se maravilharam de sua sabedoria. Diziam uns aos outros: “De onde vem a sabedoria dele?” (v.2). Essa admiração do povo também aconteceu em Cafarnaum por ocasião do sermão do monte e em muitas outras ocasiões (Mc 1.27; Mt 7.28-29). O ensino de Jesus sempre deixava as pessoas admiradas.
            As pessoas de Nazaré também comentavam os milagres de Jesus. Talvez alguns estivessem presentes na ressurreição da filha de Jairo. Ouviram falar como tinha expulsado demônios de um endemoniado na região de Gerasa. Ouviram sobre a calmaria que realizou no lago da Galiléia. Os milagres e feitos de Jesus deixavam as pessoas admiradas. E justamente por todos esses seus feitos, todas essas maravilhas, Jesus fica assombrado, atônito com os nazarenos que não quiseram crer nEle.
            Por isso, sempre destacamos o correto ensino de que os feitos, por mais maravilhosos que sejam; as palavras, por mais extraordinárias que forem não vence a incredulidade. Por esse fato, o evangelista João Marcos narra que Jesus não realizou nenhum milagre em Nazaré. Jesus sabia que não seria através de fatos extraordinários que iria mudar as pessoas que o conheciam desde criança.
            Esse ensino é transmitido por Jesus na parábola do rico e Lazáro (Lc 16.19-31). O rico no inferno pensou que seus irmãos iriam acreditar se vissem algo extraordinário acontecendo: “...Nesse caso, Pai Abraão, peço que mande Lázaro até a casa do meu pai porque eu tenho cinco irmãos. Deixe que ele vá e os avise para que assim não venham para este lugar de sofrimento” (Lc 16.27-28). A resposta foi contundente: “Os seus irmãos têm a lei de Moisés e os livros dos profetas para os avisar. Que eles os escutem!” (Lc 16.29). Mas, o rico persistiu pedindo por algo extraordinário: “Só isso não basta, Pai Abraão!...Porém, se alguém ressuscitar e for falar com eles se arrependerão dos seus pecados....” (Lc 16.30), a constatação real permaneceu: “..Se eles não escutarem Moisés nem os profetas, não crerão, mesmo que alguém ressuscite” (Lc 16.31).
            Algo maravilhoso, fatos extraordinários não impactam a incredulidade. A falta de fé sempre se apega no negativo, não no positivo. E no caso dos nazarenos, o negativo é que eles conheciam Jesus desde criança. Conheciam sua mãe, seu finado pai, seus irmãos e irmãs. Sabiam que ele era um simples carpinteiro. E por isso não o chamavam pelo nome, mas o depreciavam dizendo: “...Onde ele aprendeu essas coisas? Não é ele o carpinteiro, filho de Maria?
            Por mais se faça coisas maravilhosas, por mais que se esforce em deixar os outros admirados, não se pode levar a fé. A incredulidade deprecia o que é maravilhoso, o que é espantoso.
            O Novo Testamento está repleto de exemplos de pessoas que tropeçaram naquilo que elas não gostavam. Em 1Co 8.7-13 - Alguns irmãos se escandalizaram e se ofenderam por alguns estarem comendo carne oferecidas a ídolos. Em Mt 15.2 - vemos que alguns fariseus se escandalizaram por ver os discípulos de Jesus comerem sem lavar as mãos. Em Jo 6.60-66 - vemos que muitos reclamaram quando Jesus ensinou que ele era o pão da vida. Esses e outros motivos já haviam conduzido o profeta Isaias, o apóstolo Paulo a Pedro, pelo poder do Espírito Santo a dizer: “Esta é a Pedra em que as pessoas vão tropeçar, a rocha que vai fazê-las cair” (Is 8.14; Rm 9. 33; 1Pe 2.8).
            Ainda há muitos incrédulos, ou como disse Jesus, muitos que são joio e que tropeçam e caem. Seu tropeço e queda se devem ao fato de olharem para as coisas que há e acontecem na congregação: “Ah, não vou na igreja, é sempre mesma coisa; os que estão lá não são melhores que eu, são bem piores; os cultos são bem mornos. Não há um louvor quente. Não há nenhum milagre. As pessoas não choram, etc”.
            Conseguem entender porque Jesus se assombrou, porque ficou atônito diante da incredulidade dos nazarenos. A incredulidade é assombrosa, pois não é algo lógico nem objetivo. Na verdade, é uma decisão néscia e trágica da vontade humana que por natureza é pecadora.
            Assim como Jesus se assombrou da incredulidade dos nazarenos, eu fico atônito, e gostaria que você ficasse admirado com Jesus. Afinal, seu amor é realmente um amor incomparável. Mesmo sendo desprezado, ele amava essa gente. Um ano antes ele já havia sido maltratado por essas pessoas em Nazaré, quando tentaram jogá-lo barranco abaixo, (Lc 4.28-29). Por amor a essas pessoas, Jesus queria dar uma chance, afinal eram amigos de sua família, seus antigos amigos, seus vizinhos.
Admirado, permaneça humilde.
            Por qual motivo, Marcos registrou esse aparente fracasso de Jesus? Para nos tornar humildes quando atuamos na missão de Deus. Pois nós podemos incorrer no erro de nos orgulhar dizendo: “vejam esse conhecido, eu irei trazê-lo a igreja, pois tenho argumentos claros; meu sermão é maravilhoso, farei umas visitas, mas...”. Precisamos continuar humildes, pois não há procedimento seguro, e que dará resultados como nós esperamos. No evangelismo, na missão, não há fórmulas prontas ou mágicas para transformar um incrédulo em crente em Cristo. Por isso, não podemos na igreja, confiar em nossos talentos por melhores e mais espantosos que sejam. A obra é de Deus, como diz Paulo: “...mas foi Deus quem a fez crescer” (1Co 3.6b).
            Esse foi o ensino de Deus ao profeta Ezequiel. Para evitar que Ezequiel se orgulhasse pensando: “o sucesso é certo, pois Deus me chamou”, Deus lhe anunciou: “Tanto se derem atenção a você como se não derem, eles vão saber que um profeta esteve no meio deles (Ez 2.5). O ensino de humildade foi transmitido a Paulo: “Mas, para que não ficasse orgulhoso demais por causa das coisas maravilhosas que vi, eu recebi uma doença dolorosa, que é como um espinho no meu corpo. Ela veio como mensageiro de satanás para me dar bofetadas e impedir que eu ficasse orgulhoso” (2Co 12.7).
            Somos convidados a humildemente nos maravilhar com o amor de Jesus Cristo e não nos admirar conosco mesmo. Quantas vezes raciocinamos com incredulidade, duvidando das palavras e promessas de Deus em Cristo? Duvidamos do poder de Deus que pode atuar na nossa vida. Quantas pessoas, inclusive nós, reagimos assim como as pessoas na casa de Jairo ao ouvir a certeza de que não morremos, mas dormimos. Quantas vezes pensamos: “aqui não há mais o que fazer, não há remédio”. Com Jesus Cristo não há situação sem saída, pois o anjo de Deus disse por duas vezes na Bíblia: “Porque para Deus nada é impossível” (Lc 1.37; Gn 18.14). Em qualquer situação raciocinemos com fé e não com incredulidade.
            Jesus não ficou assombrado somente nessa visita a Nazaré quando comprovou a falta de fé das pessoas com as quais ele fora criado. Jesus também ficou assombrado em outra oportunidade, quando escutou as palavras de fé de um capitão romano, que tinha um criado que estava doente. Quando este capitão que tinha muitos soldados ao seu comando reconheceu que Jesus tinha mais poder que ele, disse: “Não, Senhor! Eu não mereço que o Senhor entre na minha casa. Dê somente uma ordem, e o meu empregado ficará bom” (Mt 8.8). A admiração de Jesus foi registrada: “...Eu afirmo a vocês que isto é verdade: nunca vi tanta fé, nem mesmo entre o povo de Israel!” (Mt 8.10).
            Na Palavra de Deus, nós pastores, leigos, servas e jovens temos um grande consolo. Esse consolo é para nós que queremos cumprir com a grande comissão de fazer discípulos. Claro que ficamos admirados, assombrados quando todos os nossos esforços é seguido por incredulidade – quando as pessoas reagem de forma negativa diante da pregação da Palavra. Outras vezes ficamos admirados, pois alguém que nos parece um candidato a incredulidade, a ser joio, demonstra grande fé.
            A fé é algo assombroso, que nos deixa admirados, o mesmo acontece com a incredulidade. Jesus sabia que as perspectivas para a fé neste mundo não eram boas, pois certa vez exclamou: “Eu afirmo a vocês que ele julgará a favor do seu povo e fará isso bem depressa. Mas, quando o Filho do Homem vier, será que vai encontrar fé na terra?” (Lc 18.8). E o que nos deixa admirados é que há muitas pessoas que crêem.
            Precisamos deixar claro que a incredulidade é obra exclusivamente do ser humano. Isso quando se recusa a ver e ouvir aquilo que verdadeiramente nos deixa admirados, Jesus Cristo. A fé é obra exclusiva de Deus, nós não fizemos nada para obtê-la. Deus opera a fé em nossos corações, mesmo nós mortos em nossos pecados, (Ef 2.1,5). Em primeiro lugar em sua Palavra. As palavras de Cristo tem grande poder. O mesmo poder da criação, quando Deus disse: “Que haja luz! E ouve luz” (Gn 1.3), a mesma coisa quando Deus disse a André, Pedro, Tiago, João e Mateus, “Segue-me”, e eles o seguiram (Mc 1.17,20; 2.14). Esse chamado ocorreu antes mesmo de curar um menino que tinha um espírito imundo, antes de Jesus diante da tumba de Lázaro que já estava morto a 4 dias o chamar para fora. O chamado foi pela palavra, o poder está na palavra, não nos milagres que Jesus realizava. Ao contrário do que temos hoje. Onde são apresentados os Shows, ou seja, o mostrar a fé. Como se a fé fosse apenas demonstrado como cura.
            A fé nos deve deixar maravilhado, pois para a criação do mundo não houve obstáculos. Mas para a fé há um grande obstáculo, “Eles não podem crer, pois o deus deste mundo conservou a mente deles na escuridão. Ele não os deixa ver a luz que brilha sobre eles, a luz que vem da boa noticia a respeito da glória de Cristo, o qual nos mostra como Deus realmente é” (2Co 4.4). Por isso, fiquemos admirados com o pai do menino curado quando pediu a Jesus: “...Ajuda-me a ter mais fé ainda!” (Mc 9.24). Esse homem deu toda a glória a Jesus Cristo e reconheceu que por seus esforços não podia ter fé. Nem mesmo por aquilo que havia acabado de presenciar. A fé é um presente dado por Deus.
            A fé em Cristo nos deixa admirados porque o pecado que faz parte de cada ser humano leva-nos a preferir a escuridão, a incredulidade. Os vizinhos de Jesus em Nazaré se deixaram levar pelas evidências humanas. Graças a Deus, que Cristo morreu na cruz por todos os pecados. Esta morte na cruz nos deixa admirados. Parece uma derrota, uma vergonha, um abuso. Mas, é justamente através da cruz que não pode fazer nenhum milagre, nenhum ensino de sabedoria, que Deus resolve o nosso maior problema (1Co 1.22-24). A morte na cruz é a demonstração do profundo e imenso amor de Deus a todos nós pecadores. Por esse motivo, Paulo não quer se orgulhar de outra coisa a não ser a cruz, tanto que diz: “Mas eu me orgulharei somente da cruz do nosso Senhor Jesus Cristo. Pois, por meio da cruz, o mundo está morto para mim, e eu estou morto para o mundo” (Gl 6.14). Tanto que logo após a morte de Jesus na cruz o capitão romano que presenciou a crucificação e morte, chegou a fé, pois confessou: “...De fato, este homem era o filho de Deus!” (Mc 15.39).
            Fiquemos admirados com a morte de Jesus na cruz, pois só nesse Cristo pode haver fé na terra. Cada vez que recebemos a santa ceia, recordamos essa morte bendita e assim somos alimentados na fé que é algo que nos deixa admirados.
            Na época de Jesus as pessoas pediam sinais, milagres, mas Jesus certa vez respondeu que o único sinal que seria dado era o de Jonas (Mt 12.39). Claro que Jesus fazia referência a sua ressurreição. As pessoas buscavam algo superficial, que as deixassem admiradas, e Jesus oferecia algo mais extraordinário, sua ressurreição. Jesus não ressuscitou para o próprio bem dEle. Pois se assim o fosse, tudo não passaria de um show. Ele também não usou marqueting, “...anos de poder”. Cristo ressuscitou para nós e por nós. Ressuscitado Jesus subindo aos céus comissionou os seus discípulos para que fossem a todas as nações e realizassem a sua obra: batizar, ensinar e assim fazer discípulos para Deus.
            No batismo morremos e ressuscitamos com Cristo, e isso não foi apenas quando nos jogaram água na cabeça, mas todos os dias na luta diária contra o pecado. Graças ao poder da ressurreição que recebemos no batismo, foi afogada nossa assombrosa incredulidade e operou e cresce o que nos deixa verdadeiramente admirados, a nossa fé. Louvado seja Deus pela grande solução ao problema da incredulidade.
            Ficamos admirados que após a ressurreição de Jesus, após a descida do Espírito Santo muitos vieram a crer em Jesus, e muitos até que eram incrédulos. Talvez até algum daqueles de Nazaré vieram a fé, pois Cristo não desejava a morte eterna de nenhum deles. Tanto que através de sua morte, ressurreição e envio do Espírito Santo, Ele fez todo o possível para transformar a assombrosa incredulidade deles em uma fé extraordinária.
            É bom saber que para Jesus a incredulidade é algo assombroso. Pois assim não iremos nos subestimar diante dos obstáculos que impedem as pessoas de crer em Cristo. Mas, também podemos reconhecer neste dia que nosso Deus Triuno, Pai, Filho e Espírito Santo fez e faz algo mais assombroso ainda: cria a fé em corações duros e duvidosos. Não nos cansemos de fazer uso da palavra, dos sacramentos para permanecermos na fé, e assim não incorrer no perigo de cair na incredulidade.
            Se eu contar ninguém acredita. Estou admirado, não com a incredulidade, pois essa me assombra, mas estou admirado com tantas pessoas estarem na fé. Vivamos nossa fé para outros cheguem a fé. Não fique apenas assombrado com a incredulidade, mas admiremos por todos os que estão na fé – pois a fé não é obra nossa é de Deus. Admirado: permaneça humilde. Amém!
Rev. Edson Ronaldo Tressmann