segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Quem é este?


01/12/13 – 1º Domingo de Advento

Sl 122; Is 2.1 – 5; Rm 13.(8 – 10) 11 - 14; Mt 21. 1 - 11

Tema: Quem é este?

 

         O texto do profeta Isaias 2. 1 – 5 tem uma relação com o texto da próxima semana, Is 11. 1 – 10. Ambos os textos, Is 2. 1 – 5 e Is 11. 1 – 10, falam da exaltação de Sião (Jerusalém) e de seu templo, que, no futuro, será lugar de encontro de todas as nações.
         Mas, quando será esse dia? Pelo evangelista Mateus a resposta é dada pela boca do próprio Jesus: “Dizei à filha de Sião: Eis aí te vem o teu Rei, humilde, montado em jumento, num jumentinho, cria de animal de carga” (Mt 21.5).
         Estamos iniciando um novo ano no calendário da igreja. É advento. Estamos às vésperas de mais um natal, e assim como quando Jesus entrou em Jerusalém muitos ainda perguntam: “Quem é este?Quem é este menino que até hoje recebe uma comemoração especial em todo o mundo? Quem é este que recebe homenagens em todos os cantos da terra?
         Este é o profeta Jesus, de Nazaré da Galiléia!
         A multidão que estava reunida em Jerusalém para comemorar a páscoa em sua maioria era composta por peregrinos vindos da Galiléia e regiões vizinhas. Ouvindo a resposta que dizia ser Jesus “de Nazaré da Galiléia” mostrava que era um deles.
         Quem é Jesus?
         Jesus é aquele que se fez homem, um de nós, para ocupar o lugar nosso lugar na cruz.
         No entanto, mesmo as vésperas de mais um natal, muitos não sabem quem é Jesus, ou o que de fato ele significa para nossa vida. Precisamos fazer o convite que nos foi dado pelo profeta Isaias: “Vinde, e subamos ao monte do Senhor ... para que nos ensine os seus caminhos, e andemos pelas suas veredas” (Is 2.5).
         Quem é este? Pergunta feita por uma multidão em festa por ocasião da páscoa em Jerusalém.
         Quem é este?
         Pergunta feita por uma multidão que está ocupada com os preparativos de mais um natal. Compras para a ceia, presentes para os amigos, parentes, etc. Uma multidão que permite o papai Noel ocupar o centro de uma festa que não lhe pertence, mas que apresenta o foco de muitos, consumo e mais consumo.
         Quem é este?
         Pergunta feita pelos autossuficientes que estão vivendo suas vidas sem se ocuparem em mais um natal sobre o que de fato é necessário e urgente.
         O convite do profeta: “Vinde, e subamos ao monte do Senhor ... para que nos ensine os seus caminhos, e andemos pelas suas veredas” (Is 2.5), precisa continuar sendo feito. Mas, para que o mesmo seja aceito, é necessário que a multidão ignore a própria sabedoria e força se desprenda das coisas materiais.
         Aquele que pela Palavra de Deus conhece quem é Jesus, o salvador, sabe que mais um natal está chegando, mas que se caso, não vier a pompa, a mesa farta, presentes, não haverá tristeza, pois a alegria cristã é aquele que veio ocupar o nosso lugar.
         Quando o povo, em sua maioria de galileus, ouviu que “Este é o profeta Jesus, de Nazaré da Galiléia!” reconheceram que não se tratava mais um dentre tantos profetas e messias espalhados em Israel. Esse profeta era diferente. Era o Messias prometido por Deus desde Adão e Eva.
         As vésperas de mais um natal, precisamos recordar que Jesus veio em humildade e se humilhou para que eu e você fossêmos exaltados. Ele é o prometido por Deus para salvar o povo dos seus pecados. Amém!
Edson Ronaldo Tressmann

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Transferidos


24/11/13 – Ultimo Domingo do Ano da Igreja
Sl 46; Ml 3. 13 - 18; Cl 1. 13 - 20; Lc 23. 27 - 43
 
         Meios de transporte estão cada vez mais eficientes e velozes. Por esses meios somos transportados de um lugar para outro com facilidade, agilidade e eficiência. Pelos meios de transporte podemos conhecer o mundo. É maravilhoso poder viajar pelos lugares e explorar suas riquezas culturais.
         Muitas pessoas quando realizam uma viagem, voltam vislumbradas com tudo de novo que observaram. Por algum tempo ficamos só lembrando-se de como era lindo aquele lugar que visitamos e esquecemos até dos problemas que vivemos, ou até mesmo de como é o lugar onde moramos.
         Diz Paulo que “nossa pátria está no céu” (Fp 3. 20). Somos salvos, temos a vida eterna, mas ainda estamos aqui. É como se estivéssemos numa viagem. Nessa viagem, o encantamento pelas coisas desse mundo, que conforme Jesus no evangelho da semana passada, serão destruídas, nos faz esquecer a nossa pátria celestial.
         Levando essa realidade em consideração, estudemos as palavras de Paulo aos Colossenses, em especial os v. 14.
         O v. 14 anuncia que o “Filho do seu amor”, ou seja, o “amado” é aquele no qual cada pecador tem a redenção, a remissão, o perdão dos pecados.
         A palavra redenção é um termo fundamental na Bíblia. É um termo que compreende toda a história da salvação, desde a remissão dos pecados até à ressurreição dos mortos.
         Vivemos dias de analfabetismo funcional, onde as pessoas sabem ler, mas não conseguem fazer a devida interpretação de textos e operações matemáticas simples.
         Por esse fato, é importante e necessário entender o que é redenção.
         Redenção – vem do latim “redimere” que é uma tradução do grego “lutrosis” ou “apolutrosis” que significa resgate, libertação através do pagamento de um resgate, soltura de quem está em escravidão ou prisão por dívida não paga.
         O sentido teológico é bem mais amplo e profundo que o sentido gramatical. No entanto, mesmo se ficássemos apenas com o conceito gramatical, a palavra em si traz um enorme significado.
         Os filhos da promessa, ou seja, os descendentes de Abraão, Isaque e Jacó estiveram escravizados no Egito. Quando, Deus em sua graça e misericórdia quis intervir, libertou o seu povo da escravidão. Por 40 anos caminharam como povo livre pelo deserto. Mesmo caminhando pelo deserto sabiam que sua terra era a nova terra, Canaã.
         Como cristãos do século XXI, estamos livres, somos filhos de Deus. Libertados do poder do diabo e da morte eterna, estamos caminhando pelo deserto. Mas, não fomos resgatados para viver eternamente nesse deserto onde reinam as lágrimas, as injustiças, a violência, etc. Fomos resgatados, comprados “com o santo e precioso sangue de Jesus” para pertencermos a ele e vivermos com ele na nova terra, no novo céu.
         Paulo diz: “Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor, no qual temos a redenção, a remissão dos pecados” (Cl 1. 13 – 14).
         Transportados – de um reino a outro reino. Essa palavra, ou como diz o termo grego, “transferidos” resume muitíssimo bem o que é redenção. Fomos transferidos de um lugar para outro. A transferência foi extraordinária. Saímos das trevas para a luz, da morte para a vida, da perdição para a salvação.
         A carta aos Colossenses é uma das mais breves do apóstolo Paulo que tem como diferencial ter sido uma carta a uma igreja que ele não fundou pessoalmente. Colossos estava distante 160 km de Éfeso, e foi fundado pelo ministério de Epafras no período em que Paulo esteve em Éfeso por 3 anos.
         A maioria dos cristãos daquele congregação eram ex gentílicos, que foram perdoados dos seus pecados e “transferidos para o reino do Filho do seu amor, ...”.
         Os cristãos da cidade de Colossos mesmo tendo sido redimidos, perdoados, transportados de uma situação para outra, estavam sendo ameaçados pela heresia colossense. Paulo soube disso quando na prisão recebeu a visita de Epafras (1.8).
         Um grupo da congregação se desviou do padrão doutrinário cristão. Correntes de pensamento de fora da igreja estavam sendo bastante atrativas para muitos cristãos de Colosso. Essa corrente de fora estava estragando a doutrina cristã com suas seguintes atrações: 1) – cerimonialismo (2.16 – 17; 2.11; 3.11); 2) – Ascetismo (2.21; 2.23); 3) – Culto a anjos (2.18); 4) – diminuição na importância e do papel de Jesus Cristo (1. 15 – 20, nosso texto em questão; 2.2 – 3.9); 5) – conhecimento secreto (2.18 e 2.2 – 3); 6) – apelo a sabedoria e tradições humanas (2.4,8).
         Todas essas questões estavam sendo misturadas e buscavam complementar o evangelho. Em Cl 1. 15 – 20, o apóstolo Paulo prepara o terreno para tratar dessas questões. Nesses versículos exalta a superioridade de Jesus Cristo. Ele é Senhor da criação e da reconciliação. É o mediador entre Deus e os homens.
         Somos redimidos. Somos os transferidos. Mas, ainda estamos em mudança, ou melhor, viagem. Vamos curtir essa viagem. Mas, precisamos ter cuidado para não esquecer o check- in, pois sem o mesmo não há embarque.
         Como filhos redimidos, muitos são os que estão vivendo suas vidas simplesmente aproveitando-se na viagem. Não que isso seja ruim, mas o perigo é esquecer-se daquele que nos transportou da morte para a vida, das trevas para a luz. Amém!
 

Edson Ronaldo Tressmann


44 – 3462 2796

Bibliografia:

FAVRE, Philippe. Epístola aos Colossesnses. Ed. Bom Pastor, São Paulo. 1996. pp. 18 – 32.

História e Literatura do Novo Testamento. Clóvis Jair Prunzel; Gerson Luis Linden; Vilson Scholz. Ed. ULBRA, Canoas, 2011. pp. 101 - 105

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

“É na vossa perseverança que ganhareis a vida eterna” (Lucas 21.19)


17/11/13 – 26º Domingo após Pentecostes
Sl 98; Ml 4. 1 - 6; 2Ts 3. 6 - 13; Lc 21. 5 - 28

Tema: É na vossa perseverança que ganhareis a vida eterna” (Lucas 21.19)

 
         Os discípulos estavam admirados com a beleza do templo. E diante de tanta beleza, os impressionados são advertidos por Jesus que pediu que eles olhassem, mas não para aquilo que se podia ver no momento, mas para o futuro. Um futuro em que o maior orgulho da nação seria destruído.
         Esse olhar, numa outra direção, envolve uma indicação do próprio Jesus para aquilo que é necessário, ou seja, desviar nossos olhos daquilo que é belo ao mundo e que nos distrai do essencial.
         As coisas terríveis para as quais Jesus apontava não era a mensagem que os discípulos desejavam ouvir. Aliás, num primeiro momento nem sequer entenderam o porquê Jesus os estava alertando sobre isso.
         De um estado de admiração, os discípulos assustados perguntam: “Mestre, quando sucederá isto? E que sinal haverá de quando estas coisas estiverem para se cumprir” (Lc 21.7).
         A admiração os paralisou diante de algo que para eles era indestrutível. Mas, quando Jesus lhes fala que tudo aquilo que é belo, contemplável será destruído, o medo e a incerteza das coisas, os levam a preocupação de quererem saber algum sinal, afinal, precisam se preparar, montar estratégias para saírem ilesos dessa tragédia. Como escapar do inevitável? Diga nos, pois assim nos prepararemos e sairemos com vida!
         Lembremos que Jesus não quer causar medo e desespero aos seus discípulos. Jesus tem outro objetivo. O objetivo de Jesus com esse texto é mostrar que nós somos suas testemunhas, somos comunicadores da vida, em meio às crueldades desse mundo. Jesus não nos abandona em meio às crueldades do mundo, “...eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século” (Mt 28.20).
         Diante das crueldades do mundo, ou para ser mais exato diante dos sinais do fim, a sensação não deve ser de medo, mas é preciso erguer a cabeça, não para contemplar as glórias humanas, mas porque a redenção se aproxima.
         Jesus não deseja com essas palavras assustar as pessoas. Seu desejo é prepara-las para que possam consolar todos aqueles que estiverem sofrendo, por estarem impressionadas com as coisas desse mundo e não querendo deixa-las, e por estarem com medo do fim das coisas quando se estiver para se fazer novo. Além da promessa de que Jesus estaria presente em todos os momentos, pelo evangelista Lucas, recebemos a promessa “Assentai, pois, em vosso coração de não vos preocupardes com o que haveis de responder; porque eu vos darei boca e sabedoria a que não poderão resistir, nem contradizer todos quantos se vos opuserem” (Lc 21.14 – 15).
         Poder para testemunhar, responder a todos os que pedirem razão da nossa esperança é o cumprimento da promessa de Deus a cada vez que nós, em meio às tragédias humanas, consolamos as pessoas e as fazemos erguer a cabeça e ver que nossa pátria está no céu (Fp 3.20).
         Como escapar do inevitável? Lembrando que o inevitável é a segunda vinda de Jesus. Ele virá em glória para julgar os vivos e os mortos, cujo reino não terá fim. E nessa situação não há o que fazer. Portanto, a boa noticia é que Deus em Jesus fez e faz tudo para que a salvação nos seja dada.
         Quando buscamos a resposta à questão de como escapar com vida do julgamento final. A resposta é que tão logo o pecador arrependido creia nas promessas de Deus de graça que lhes são oferecidas pelo evangelho por amor de Cristo, deposite a sua confiança na satisfação vicária que Cristo preparou pelos pecados do mundo mediante sua perfeita obediência, é declarado justo perante Deus.
         É na vossa perseverança que ganhareis a vida eterna” (Lucas 21.19). Significa manter-se firme na fé, viver na fé de maneira perseverante, viver na certeza de que mesmo diante dos rumores de guerra, terremotos, epidemias, fome, coisas espantosas, sinais no céu, perseguição, sabendo que Jesus nos ajuda a erguer a cabeça e continuar.
         Nos dias finais muitas serão as situações que ficaremos cheios de duvida de Deus da sua presença e do seu amor. “É na vossa perseverança que ganhareis a vida eterna” (Lucas 21.19). Precisamos recordar que Jesus Cristo é o Sol da Justiça que nos ilumina para continuar firmes na fé.
         Por nós mesmos, continuaremos com nosso olhar de admiração diante das coisas do mundo. Por nós, continuaremos a olhar para a tecnologia, casas bonitas, templos grandes e belos e imaginaremos que tudo isso ficará para sempre. Mas, ouvindo Jesus, um pouquinho que seja, observaremos que somos aconselhados a viver perseverantes na fé. Pois, o único meio de escaparmos com vida é em Jesus.
         Em Jesus, os sinais dos fins dos tempos não nos assustarão, mas nos farão dançar e se alegrar, como diz Jesus: “exultai e erguei a vossa cabeça; porque a vossa redenção se aproxima” (Lc 21.28). Nossa exultação está em saber que aquele de quem falou o profeta Malaquias já trouxe a salvação sem suas asas, (Ml 4.2)
         Queridos e queridas, lembrem-se “É na vossa perseverança que ganhareis a vida eterna” (Lucas 21.19). Amém!

 
Pr Edson Ronaldo Tressmann
 
Bibliografia: Dogmática cristã. Volume II. John Theodore Mueller. Tradução Martinho L. Hasse. Ed. Concórdia, Porto Alegre, RS, 1960. Pp. 48 - 50

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Deus dos Vivos!


10/11/13 – 25º Domingo após Pentecostes
 
Sl 148; Ex 3. 1 - 15; 2Ts 2. 1 – 8, 13 - 17; Lc 20. 27 - 40
Tema: Deus dos vivos!
 
        O tema sobre a reencarnação e a vida após a morte é sempre atual. Bem que o texto de Lucas 20. 27 – 40 pode ser considerado atual, pois traz em suas afirmações inquietações para alguns, e para outros consolo e certeza. 
     O espiritismo está conseguindo espalhar sua semente entre os cristãos. Frases, como "Deus queria uma pessoa boa ao seu lado lá no céu," "Papai vai olhar por nós lá do céu," mesmo que inconsciente, reflete nosso esquecimento das verdades centrais da Bíblia e queda ao espiritismo.
         Sabemos que a morte é um mistério. Por ser misterioso, se torna um tema interessante, discutido e que traz muitas inquietações e dúvidas.
         Sobre esse mistério, Jesus conforme narrado por Lucas 20. 27 – 40 quer nos ensinar algo precioso.
         Primeiramente é preciso que compreendamos quem eram os saduceus?
       O texto diz que eles não criam na ressurreição. Eram um grupo religioso, cujas ideias diferiam das dos fariseus e outros grupos minoritários da época. Por isso, os escribas ao final do texto afirmam que Jesus respondeu muito bem.
       Se os saduceus não acreditavam na ressurreição, por que se aproximaram de Jesus com o argumento de que se uma mulher tendo ficado viúva de sete maridos e sem ter tido filho com nenhum deles? Se aproximam argumentando com a lei do levirato?
         Lembremos que a lei do levirato prescrevia que se um irmão morresse sem deixar filhos, seu irmão deveria suscitar descendência na viúva.
       Os saduceus não aceitavam Jesus como salvador, como o Messias enviado por Deus. E de maneira sarcástica, debochando do ensino de Jesus e da época, perguntaram não com a intenção de aprender sobre o assunto. Mas para tirar a fama de Jesus, desprestigiar seu ensino junto ao povo.  Os saduceus queriam trazer as pessoas para o seu lado, desfazendo-se do que Jesus ensinava bem como da fé das pessoas.
        Podemos também enumerar outro objetivo. Sendo esse, colocar Jesus em oposição aos fariseus que defendiam a ressurreição. No entanto, não podemos concluir falsamente que a resposta de Jesus foi para agradar os fariseus. 
         Mesmo que houvesse a fé na ressurreição dos mortos, o pensamento da época era como poderia ser possível uma mulher ir para o céu sem ter tido filhos? Afinal, a maternidade era sinal da bênção de Deus. E se a mulher não tivesse recebido a bênção de Deus nesse mundo, logo não poderia ir para o céu.
         Se a pergunta foi feita com base na lei de Moisés, a resposta de Jesus também foi com a mesma base. No entanto, ao citar Êx 3. 2 – 6, resumido no v. 38 “Ora, Deus não é Deus dos mortos, e sim de vivos; porque para ele todos vivem” Jesus dá uma aula de exegese e hermenêutica, mostrando que a Palavra de Deus precisa ser corretamente interpretada, para que não incorra no erro de conduzir a crenças falsas, assim como havia conduzido os saduceus.
         Jesus ensina que Deus é Deus dos vivos. E os mortos? Bem! Os mortos em Jesus para Deus estão vivos. Jesus não duvida da ressurreição dos mortos. Tanto que afirma esse ensino nessas palavras.
         Mesmo que faltem provas para a verdade da ressurreição, nós festejamos a Páscoa. Mesmo que nos falte provas, confessamos no Credo Apostólico que cremos na ressurreição e na vida eterna.
         A questão é que quando somos perguntados sobre a ressurreição temos dificuldades em testemunhar essa verdade. Somos paralisados pelas dúvidas e incertezas. Será que a morte é o ponto final da nossa história?
         Em meio a paralisia do nosso testemunho, e a falta de provas materiais na resposta a questão anterior, o ateísmo está avançando no Brasil, principalmente entre jovens e intelectuais, bem como o espiritismo. Sendo a ressurreição assunto e questão de fé totalmente desligado da razão, o ateísmo e o espiritismo, infelizmente vão crescendo e ganhando seus adeptos por apontarem racionalmente que a ressurreição não é possível.
         A fé cristã, mesmo que sem provas, não é coisa absurda. Pois, mesmo sem provas humanas e racionais, temos um excelente argumento. Jesus nos diz sobre a ressurreição e sua ressurreição garante a nossa ressurreição.
         Com esses argumentos, respondemos outra questão fundamental: Quem é nosso Deus? É o Deus dos vivos. A morte não é toda poderosa, a morte não é o fim de tudo.
         Mesmo que muitas pessoas digam que ninguém escapa da morte, que essa é a nossa única certeza, a sepultura é nossa última morada, passemos a afirmar assim como fez Jesus: Deus é Deus dos vivos. O poder de Deus é superior ao da morte, ele venceu a morte.
Sendo a ressurreição dos mortos uma questão de fé, continuemos com nossa confissão: “Creio no Espirito Santo, na santa igreja cristã, a comunhão dos santos, na remissão dos pecados, na ressurreição da carne e na vida eterna” Amém!
Pr Edson Ronaldo Tressmann
cristo_para_todos@hotmail.com


terça-feira, 29 de outubro de 2013

Jesus veio salvar o pecador


03/11/13 – 24º Domingo após Pentecostes.

Sl 130; Is 1.10 – 18; 2Ts 1. 1 – 5, 11 - 12; Lc 19. 1 - 10

Tema: Jesus veio salvar o pecador

 
         Semana que vem, dia 10 de novembro, lembramos o aniversário de Lutero, nascido em 10/11/1483. A época em que Lutero viveu havia uma angustia geral pela certeza da salvação.
         Como professor e estudante da Bíblia, Lutero encontrou consolo e certeza da salvação em Jesus. Tanto que em um de seus relatos disse que um dia veio o diabo e disse:
 

- “Martinho, você é um grande pecador. Por isso, você está condenado.” Ao que Lutero respondeu:
- “Espere aí, uma coisa depois da outra. É verdade, eu sou um grande pecador. E depois?” Assim, o diabo lhe respondeu:
- “Por isso, você está condenado.” Com um sorriso no rosto, Lutero responde em um tom mais forte de voz ao diabo dizendo:
- “Não! Essa não é a sequência certa. A verdade é a seguinte: Eu sou um grande pecador; por isso, eu sou redimido, pois está escrito: Jesus Cristo veio ao mundo para salvar o perdido.

 
         Com esse relato, Lutero disse “venceu o diabo com sua própria espada, que foi embora cabisbaixo por não ter conseguido abater com a afirmação de que era um grande pecador.
         Você sente vergonha pelos teus pecados?
         Nossos pecados são horríveis. Basta olhar para a cruz. Ao olhar para cruz, cada um de nós deveria detestar o pecado. No entanto, infelizmente, os dias vão passando e assim como disse o autor a carta aos Hebreus “...o pecado que nos envolve...” (Hb 12.1), acaba nos fazendo aceitar a acusação do diabo que de somos pecadores e assim, acabamos concordando que “...nem impuros, nem idólatras, nem adúlteros, nem efeminados, nem sodomitas, nem ladrões, nem avarentos, nem bêbados, nem maldizentes, nem roubadores herdarão o reino de Deus” (1Co 6. 9,10) e acabamos esquecendo que “Tais fostes alguns de vós; mas vós vos lavastes, mas fostes santificados, mas fostes justificados em o nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus” (1Co 6.11)
         Reconhecendo que Jesus veio salvar e buscar o perdido somos convidados por meio do profeta Isaias: “Vinde, pois, e arrazoemos, diz o Senhor; ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como carmesim, se tornarão como a lã” (Is 1.18)
         Você é um grande pecador. Por isso, você está condenado. Mas, observemos, lembremos a ordem certa: A verdade é a seguinte: Eu sou um grande pecador; por isso, eu sou redimido, pois está escrito: Jesus Cristo veio ao mundo para salvar o perdido. Completando com as palavras do apóstolo Paulo: “...dos quais eu sou o principal...” (1Tm 1.15).
         Não há um pecado grande o suficiente para que Deus não nos perdoe. Deus tem por nós um amor tão grande, que enviou seu filho para dar a vida pelos mesmos.
         Um pecador precisa saber que “...onde abundou o pecado, superabundou a graça...” (Rm 5.20). Essa verdade da palavra de Deus não quer nos tornar frios, ou nos acomodar em nossa natureza pecaminosa. É uma amostra de que Deus nos ama, pois “...ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rm 5.8).
         A verdade é que o medo da pena ou da ira de Deus nunca será uma motivação para a realização de obras que agradam a Deus. Um incrédulo vê apenas a ira de Deus, um cristão vê um Deus totalmente diferente, um Deus que veio buscar e salvar o perdido. Por isso, a conclusão: "Devemos, portanto, amá-lo, confiar nele, e alegremente, de boa vontade, fazer o que Ele ordenou" é anunciada a cristãos, conforme diz Paulo aos Tessalonicenses: Irmãos, sempre temos de dar graças a Deus por vocês. Para nós é certo fazer isso porque a fé que vocês têm está crescendo cada vez mais, e o amor que vocês têm uns pelos outros está se tornando cada vez maior”. (2 Ts 1.3).
         O cristão é simul justus et peccator,simultaneamente justo e pecador”. O homem fora de Cristo conhece a lei apenas como proibição e condenação. O homem em Jesus, sabendo que veio buscar o salvar o perdido, vê a lei como uma ação de Cristo em sua própria vida. Pelo Espírito Santo, em Cristo, ele pertence a Deus, e na carne, ele se opõe a Deus. Nessa luta, saber que em Cristo somos salvos e perdoados é lutar sabendo que o diabo afastará de nós cabisbaixo todos os dias.
         Gosto muito da definição de Lutero quanto a vida cristã quando o mesmo diz que a teologia da justificação (o cristão é salvo pela fé somente) descreve a relação do crente com Deus e Santificação (amor a Deus e ao próximo) descreve a realidade da justificação.
         Saber que Jesus veio buscar e salvar o perdido não é uma mensagem para acomodação, na verdade para que a congregação, composta por pecadores perdoados em Jesus voltem à prática das boas obras é necessário dar ênfase total na obra de Jesus. Jesus veio buscar e salvar o perdido. Em Jesus fomos buscados e de maneira belíssima Lutero expressa de uma forma simples na explicação do segundo artigo do Credo Apostólico, “para que eu o sirva em eterna justiça, inocência e bem-aventurança."
         Que assim seja, amém!
 
Pr Edson Ronaldo Tressmann
(44) 3462 2796 ou (44) 98 56 8020
 
Ilustração: Johannes H. Rottmann. Guia nos Jesus. Vol. 4. Ed. Concórdia, 1999. p. 70

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Qual é a nossa justificativa diante de Deus?


27/10/13 – 23º Domingo após Pentecostes
Sl 5; Gn 4. 1 - 15; 2Tm 4. 6 – 8, 16 - 18; Lc 18. 9 - 17
Tema: Qual é a nossa justificativa diante de Deus?
 

         O mês de outubro, que está por terminar, é mês das crianças, para muitos da padroeira do Brasil, para outros, halloween, e muitos lembram como o mês da Reforma.

         Se eu fosse definir o mês de outubro, iria defini-lo como o mês do questionamento.

         Crianças, quem são?

         Padroeira do Brasil, como assim?

         Dia das bruxas, por quê?

         Reforma, qual?

         Entre essas questões, levando em consideração Lucas 18. 9 – 14, pergunto: O que nos justifica perante Deus?

         Justificativa! As pessoas sempre tentam se justificar de algo que fizeram, ou de alguma coisa que deixaram de fazer. É comum as seguintes justificativas: “o que eu não tenho em casa, eu procuro na rua;” “eu não fui ao culto por causa do pastor, ele fez isso e eu não gostei;” “eu não tenho tempo;” “eu sou uma pessoa boa, não mato, não roubo, gosto de todo mundo;Justificativas. As pessoas gostam de se justificar.

         Conforme o texto de Lucas 18. 9 – 14, Jesus faz uma análise contando uma parábola. Jesus compara o jeito errado do fariseu se justificar perante Deus e perante os homens, e a justificativa que agrada a Deus, a do publicano que implorou “Ó Deus, tem pena de mim, pois sou pecador!

         Analisemos essa parábola por partes.

         Primeiro: Jesus está falando para um grupo que “confiava em si mesmo.” Para esse grupo, Jesus começa a falar sobre algo comum do dia-a-dia. Conforme Atos 3.1, todos os dias os judeus iam ao templo para orar, isso por volta das três horas da tarde. Os judeus como era costume oravam de si para si mesmos, ou seja, em pé, com a voz alta. Depois liam um trecho das Escrituras. Diante de Jesus esse grupo de pessoas que aparentemente cumpriam a lei com todo o rigor, e por esse motivo se consideravam justos, olhavam para os outros cheios de desprezo. Eles estavam no meio da multidão para qual Jesus conta a história.

         Segundo: Jesus inicia falando sobre o fariseu que faz uma oração muito bonita. Temos conhecimento de uma oração semelhante relatada no escritos dos judeus do primeiro século, o Talmude: “Eu te agradeço, Senhor, meu Deus, porque me deste parte junto daqueles que se assentam na sinagoga, e não junto daqueles que se assentam pelas esquinas das ruas; pois eu me levanto cedo, eles também levantam cedo; eu me levanto cedo para as palavras da lei, e eles, para as coisas fúteis. Eu me esforço, eles se esforçam: eu me esforço e recebo a recompensa, eles se esforçam e não recebem a recompensa. Eu corro e eles correm: eu corro para a vida no mundo futuro, e eles, para a fossa da perdição.

         Ao fazer a comparação, Jesus usa uma oração comum entre os fariseus. Jesus fala de algo corriqueiro. Entrar no templo e orar. Ao dizer isso, consegue a atenção dos fariseus para chamar a atenção para o seu jeito de orar. Um orar que envolve a  enumeração dos pecados que não cometeu. Oh Deus eu não sou zombador (Segundo mandamento); não sou injusto; não cometo adultério (Sexto mandamento); nem sou como este publicano. Jesus fala de moralidade quando o fariseu anuncia as suas qualidades e perfeições. Jejuo duas vezes por semana, a lei prescrevia um jejum por ano. Dou 10% de tudo, até mesmo daquilo que ele comprava, mesmo que o produtor já tivesse dado os 10% do produto, ele o fazia novamente. Esse era o cara do momento. Ser idêntico a ele era praticamente impossível.

Com a atenção dos fariseus garantida, Jesus segue sua história. Junto com esse exemplo de homem, entrou no templo um publicano. Os  publicanos eram mal vistos, trabalhavam para o governo, os romanos. Os romanos eram inimigos políticos dos judeus. Os cobradores de impostos, além de cobrar o estipulado cobravam uma taxa a mais. Eram tidos como ladrões, pecado contra o sétimo mandamento.

Jesus sabia que o publicano era considerado um pecador desprezível. Esse desprezado pecador fez a seguinte oração, não de pé, de joelhos e arrependido bate no peito e ora: “Ó Deus, tem pena de mim, pois sou pecador!

         Jesus chegou ao ponto máximo de sua comparação. O publicano apesar de rejeitado pelo povo foi aceito por Deus. Pelo maior de todos os motivos: se aproximou de Deus não querendo justificar a si mesmo, mas confiou unicamente na misericórdia de Deus, que era quem o podia justificar.

         Ó Deus, tem pena de mim, pois sou pecador!

         Jesus faz um alerta aos fariseus para pararem de confiar em si mesmo. Entre eles, a oração tida como bela, o homem que era tido como exemplo, podia até ser bonito, bem visto. Mas, perante Deus, tudo isso não adiantava nada. Jesus disse: “misericórdia quero e não holocaustos” e “Aí de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas! Pois vocês dão a décima parte até mesmo da hortelã, da erva doce e do cominho, mas não obedecem aos mandamentos mais importantes da lei, que são: o de serem justos com os outros, o de serem bondosos e o de serem honestos. Mas são justamente essas coisas que vocês devem fazer, sem deixar de lado as outras (Mt 23.23).

         Jesus mostra que a única maneira de ser justificado é confiar nEle. Ele não fica admirado quando as pessoas se exaltam, assim como fez o fariseu. O fariseu olhou para ele mesmo, achando-se bom demais por não roubar, não ser injusto, nem adúltero, por jejuar duas vezes por semana, dar o dízimo.

         Esse cara, o fariseu encantava as pessoas na época de Jesus e encanta também em nossos dias. Ficamos impressionados com as pessoas que testemunham, “eu nunca roubei nada de ninguém, nunca matei, nunca adulterei, nunca...” As pessoas começam a olhar e apontar para si mesmas. Queremos nos justificar. “Eu sou bom, sou evangélico, sou cristão, sou católico, eu nunca... Perante os homens essas justificativas tem muito valor. Mas, será que valem diante de Deus?

         Nós luteranos, no dia 31 de outubro estaremos nos lembrando da reforma. Precisamos recordar que o tema da reforma é o pecado. Quem de nós pode dizer, eu nunca pequei? Impressionado com o testemunho de alguém que diz: “eu nunca matei,” recordemos que a Bíblia diz “todo aquele que odeia o seu irmão é pecador.” Impressionado com aquele que diz “eu nunca adulterei..” lembre-se que a Bíblia diz “todo aquele que olhar com olhos impuros para uma mulher, em seu coração já adulterou com ela;

         Somos pecadores! Por isso vale lembrar que Jesus diz para confiar nEle e não em si mesmo. Somos pecadores! Por isso nossa oração precisa ser como a do publicano “Ó Deus, tem piedade de mim, pois sou pecador!” Somos pecadores! E diante dos nossos pecados, não adianta olharmos para aquilo que fazemos e deixamos de fazer. Nossa salvação depende daquilo que Jesus fez por nós na cruz. Crer em Jesus é estar justificado perante Deus.

         Quando Deus Pai, enviou seu filho, Jesus Cristo, para sofrer e morrer em meu lugar, além de provar seu imenso amor por mim, provou que não posso me justificar perante ele, devido ao meu pecado. Deus enviou Jesus para que eu me apegue nEle, olhe para cruz e para àquilo que fez por mim e não naquilo que eu suponho fazer.

         Paulo também é um exemplo de um homem que até os 28 anos de idade sempre procurava cumprir a lei com todo o rigor. Mas, quando Jesus o encontrou na estrada de Damasco, sua vida mudou. Ele deixou de confiar em si mesmo e passou a confiar completamente na graça de Deus. Tanto é, que ele mesmo diz em sua segunda carta a Timóteo “Deus teve misericórdia de mim...” Não podemos esquecer do que disse ainda na sua carta aos Filipenses 3. 4 – 9. Paulo, um fariseu zeloso, perseguia a igreja. Para ele os cristãos estavam pervertendo aquilo que a lei de Deus dizia. Paulo aprendeu que tudo aquilo que ele fazia para ser salvo de nada adiantava. A salvação era dada por aquilo que Jesus fez na cruz. Ao ser encontrado por Jesus, Paulo descobriu essa verdade e passou a anuncia-la, assim como fez aos Romanos 10. 1 – 4.

         As pessoas podem até se justificar para o pastor e para as pessoas. Mas perante Deus, minha justificativa é uma só: Jesus. Ele é quem perdoa meus pecados. Ele morreu por mim. Ele é meu salvador.

         Pessoas procuram se justificar, e ainda muitos vem ao culto como o fariseu, “eu sou assim...eu faço isso...”. Olhando para si mesmos, esquecem que: Culto é Deus vindo ao homem para perdoar seus pecados, para fortalecer a fé, orientar e consolar. No culto eu e você não fazemos nada pra Deus, ele faz tudo por nós.

         Querido amigo, e amiga. Enquanto muitos querem se justificar perante os homens, “eu sou... eu nunca...”, busquemos com humildade mudar as coisas e orar: “Ó Deus, tem pena de mim, pois sou pecador!” Saiba que qualquer justificativa perante Deus só é válida em Jesus, pois o “justo viverá pela fé.” Amém!


Edson Ronaldo Tressmann.

cristo_para_todos@hotmail.com

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