terça-feira, 13 de novembro de 2012

Não abandone aquele que não abandona você


Tema do mês: Fundamentados em Jesus – “com um coração sincero eu te louvarei à medida que for aprendendo os teus justos ensinamentos” (Sl 119. 7)
18/11/12 – 25º Domingo após Pentecostes

Sl 16; Dn 12. 1 - 3; Hb 10. 11 - 25; Mc 13. 1 - 13

Tema: Não abandone aquele que não abandona você.

O autor a carta aos hebreus que não se tem certeza de quem verdadeiramente é nos deixou um recado: “Não abandonemos, como alguns estão fazendo, o costume de assistir as nossas reuniões. Pelo contrário, animemos uns aos outros e ainda mais agora que vocês vêem que  dia está chegando” (Hb 10.25).
         Não abandonarpensando em abandono. O que será que nós com muita freqüência abandonamos?
         Quem abandonaria um filho?..... Quem de vocês abandona um grupo de amigos?...... Quem abandona seus pais? ........ Quem abandona seu lazer no fim de semana?........
         Para se abandonar um filho, o grupo de amigos, os pais, o lazer, etc, se verifica e se questiona os verdadeiros motivos para isso. Mas, o autor a carta aos Hebreus pede para que não se abandone as reuniões onde se estuda a palavra de Deus.
         Em dias pós-modernos, a cada novo dia, vemos o surgimento de uma nova igreja. Há igrejas para todos os gostos e tipos. E na maioria delas se preza por discorrer sobre assuntos em que as pessoas se agradam. Assim, distorcem a Palavra de Deus, levando as pessoas ao engano e ao erro. E sendo enganados acabam abandonando a igreja na qual se preza pelo ensino correto da Palavra de Deus.
         Se formos analisar nossa época, vemos que as pessoas estão presas aos bens materiais. E a procura da aquisição dos bens acaba afastando uns dos outros. Disse o apóstolo Paulo: “o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males...” (1Tm 6.10). Muitos que se intitulam de bispos e apóstolos simplesmente falam nos bens materiais, e permitem pela distorção da Palavra de Deus que as pessoas se esqueçam da maravilha que é a herança eterna. Faz com que se esqueça da mensagem primordial da Bíblia, Jesus Cristo, o Salvador.
         Não abandone aquele que não abandona você.
         Abandono – infelizmente é comum uma mãe abandonar um filho; abandonar amigos; filhos abandonarem seus pais, etc. Mas muito mais comum do que isso é a tendência de se abandonar o costume de assistir as reuniões, os cultos, estudos bíblicos.
         Para se abandonar o filho, os amigos, os pais sempre há um forte motivo por trás disso, mas o abandono à casa de Deus, ao local de oração é simplesmente algo corriqueiro, muitas vezes sem motivo. O fato do abandono é real, visível aos nossos olhos. Vemos a igreja se esvaziar dia após dia. Mas, nesse dia vamos deixar de falar sobre o abandona, e nos questionar sobre o conselho do autor da carta aos Hebreus de não se não abandonar o costume de assistir nossos cultos e estudos bíblicos.
         Muitos abandonam, mas o autor a carta aos Hebreus, podemos dizer, o próprio Deus, pede para não abandonarmos o local de estudo da sua Palavra. Por qual motivo não abandonar?
         O livro de Hebreus explica o Antigo Testamento. Colocando como ponto central Jesus Cristo, a Palavra de Deus encarnada na realidade do ser humano. Esse escrito, a carta aos Hebreus, explica de forma clara termos e assuntos do A.T. e também faz exortações práticas para o nosso viver nesse mundo, pelo qual Jesus deu a vida.
         O ambiente social em que aqueles cristãos viviam estava carente. Eles eram perseguidos e muitos desanimavam e abandonavam sua fé. Diante desse desanimo e abandono o autor traz a mente dos seus leitores judeus e cristãos pensamentos de esperança da antiga aliança.
         O autor, baseado na antiga aliança, relata que uma vez por ano o sumo sacerdote fazia o seu sacrifício de expiação pelos pecados do povo. Somente o sumo sacerdote podia entrar no santo dos santos e oferecer o sacrifico para que o povo obtivesse o perdão.
         Santo dos Santos: é o Lugar Santíssimo. O lugar mais sagrado do Tabernáculo e também do templo. Ali ficava a arca da aliança, uma caixa de madeira revestida em ouro onde estavam guardadas as duas pedras dos mandamentos, e outros objetos sagrados. Esse lugar era separado por uma enorme e espessa cortina.
         Era prescrito pela lei de Deus que somente uma pessoa poderia ter acesso ao santo dos santos, o sumo sacerdote. Na carta aos Hebreus é dito que: “Por isso, irmãos, por causa da morte de Jesus na cruz nós temos completa liberdade de entrar no Lugar Santíssimo” (Hb 10.19).
         Aquele lugar reservado apenas para o sumo sacerdote agora está disponibilizado a todos nós por causa da obra redentora de Cristo. O autor da carta aos Hebreus diz: “Por isso tenhamos confiança e cheguemos perto do trono divino, onde está a graça de Deus. Ali receberemos misericórdia e encontraremos graça sempre que precisarmos de ajuda” (Hb 4.16).
         Não abandonar as reuniões, pois ali recebemos a graça de Deus.
         Pelos meios da graça: Batismo, Palavra e Santa Ceia recebemos o perdão que Cristo conquistou por todos nós na cruz. Sim, somente em Cristo na graça de Cristo recebemos o perdão. E é essa esperança que o autor quer transmitir aos seus irmãos desanimados e que estavam abandonando o costume de se reunir no tempo: “Essa esperança mantêm segura e firme a nossa vida, assim como a âncora mantêm seguro o barco. Ela passa pela cortina do templo do céu e entra no Lugar Santíssimo celestial” (Hb 6.19).
         Não abandonemos, como alguns estão fazendo, o costume de assistir as nossas reuniões. Pelo contrário, animemos uns aos outros e ainda mais agora que vocês vêem que  dia está chegando” (Hb 10.25). Em outras palavras - Não abandone aquele que não abandona você.
         O nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo nunca nos abandonou, assim disse Paulo aos Filipenses: “ele foi humilde e obedeceu a Deus até a morte – morte de cruz” (Fp 2.8). E ao subir aos céus vitorioso, prometeu: “...eu estou com vocês todos os dias, até o fim dos tempos” (Mt 28.20b).
         A cada novo dia somos acompanhados por Jesus que nos oferece e dá forças pela sua Palavra, seu Corpo e Sangue para que nós pecadores resistamos a toda e qualquer tentação, principalmente a tentação de abandonarmos o costume de assistir as nossas reuniões.
         Quando somos exortados a não abandonar nosso lugar de reunião é porque na cristandade Deus perdoa nossos pecados. Na cristandade nos concede pela sua Palavra, pelo seu Corpo e Sangue o perdão que nenhum de nós fez e faz por merecer.
         A exortação para não abandonar as reuniões é, portanto, um convite amoroso a cada um de nós.
         Não abandone aquele que não abandona você.
         Somos encorajados a permanecer firmes e inabaláveis na fé. E ainda somos convidados a animar os que estão desanimados e chamar de volta os que estão abandonando a reunião. E esse convite estendido a nós se deve a urgência do momento. O dia está chegando. Nós como igreja cristã estamos no penúltimo final de semana do ano da igreja. Temos a oportunidade de refletir sobre a volta de Cristo. Vale pensar em nós, nas oportunidades que temos de alimentar a nossa fé, alimento esse dado e oferecido por Deus na sua santa casa, nas reuniões que temos. Mas vale lembrar e pensar em tantos outros que infelizmente desanimaram e abandonaram a casa de Deus. Que bom que estamos recebendo o convite para não desanimar e animarmos os desanimados. Mas, antes de animarmos, é bom saber que fomos animados da certeza do amor e cuidado de Deus em Jesus por nós.
         Nós não somos abandonados por Deus. Talvez estejamos passando por uma triste tribulação nesse momento, mas como disse Paulo aos Romanos: “Então quem pode nos separar do amor de Cristo? Serão os sofrimentos, as dificuldades, a perseguição, a fome, a pobreza, o perigo ou a morte/ Como dizem as Escrituras Sagradas: Por causa de ti estamos em perigo de morte o dia inteiro; somos tratados como ovelhas que vão para o matadouro. Em todas essas situações temos a vitória completa por meio daquele que nos amou” (Rm 8.35-37). Em Jesus estamos guardados e em Jesus somos animados para podermos animar aos desanimados e fazer voltar os que abandonaram as reuniões.
         Pai, mãe, avó, avô, crianças, jovens, não desanimem, não abandonem a casa de Deus. Não abandonem aquele que nunca abandona você. Em toda situação, seja de alegria ou de tristeza, Jesus está ao nosso lado. Em toda e qualquer situação, aproveitem a oportunidade para darem testemunho de vossa fé e do nosso Deus que em Cristo não nos desampara.
         Não abandonemos, como alguns estão fazendo, o costume de assistir as nossas reuniões. Pelo contrário, animemos uns aos outros e ainda mais agora que vocês vêem que  dia está chegando” (Hb 10.25).
         Não abandonemos aquele que nos supre com sabedoria, força, fé, coragem, ânimo e esperança. Cristo nas nossas reuniões pela Palavra e Santa Ceia nos fortalece a fé, perdoa nossos pecados para continuarmos fiéis. Amém!

Rev. Edson Ronaldo Tressmann
cristo_para_todos@hotmail.com

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Louvando a Deus com tudo que somos e temos


Tema do mês: Fundamentados em Jesus – “com um coração sincero eu te louvarei à medida que for aprendendo os teus justos ensinamentos” (Sl 119. 7)
11/11/12 – 24º Domingo após Pentecostes

Sl 146; 1Rs 17. 8 - 16; Hb 9. 24 - 28; Mc 12. 38 - 44
Tema: Louvando a Deus com tudo que somos e temos.

         Pensemos hoje num assunto que não gostamos tanto, mas que é preciso ser dito: oferta.  

(imagem Oferta 4)
         Baseados na palavra de Deus, no evangelho de Marcos 12. 38 – 44 que diz:


 

E, ao ensinar, dizia ele: Guardai-vos dos escribas, que gostam de andar com vestes talares e das saudações nas praças; e das primeiras cadeiras nas sinagogas e dos primeiros lugares nos banquetes; os quais devoram as casas das viúvas e, para o justificar, fazem longas orações; estes sofrerão juízo muito mais severo. Assentado diante do gazofilácio, observava Jesus como o povo lançava ali o dinheiro. Ora, muitos ricos depositavam grandes quantias. Vindo, porém, uma viúva pobre, depositou duas pequenas moedas correspondentes a um quadrante. E, chamando os seus discípulos, disse-lhes: Em verdade vos digo que esta viúva pobre depositou no gazofilácio mais do que o fizeram todos os ofertantes. Porque todos eles ofertaram do que lhes sobrava; ela, porém, da sua pobreza deu tudo quanto possuía, todo o seu sustentomeditemos no tema: Louvando a Deus com tudo que somos e temos, com  destaque na certeza de que a pobreza não é empecilho para a Contribuição generosa.
         Quando o apóstolo Paulo escreve sua segunda carta aos Coríntios, relata o exemplo dos cristãos das igrejas da Macedônia. E cita esse exemplo para com isso motivar as pessoas para que ofertar e enviar as mesmas aos pobres de Jerusalém.
         Nós luteranos entendemos que o ofertar está ligado intimamente ao estado da vida espiritual. O documento Diretrizes teológicas e práticas da mordomia cristã, aprovado pela 53ª Convenção Nacional da IELB, identifica como principal causa das dificuldades que a igreja enfrenta no campo da oferta cristã a fraqueza de fé e a falta de conhecimento bíblicode seus membros. Ora, fraqueza de fé não diz respeito à fé como meio da salvação, mas como poder na santificação. Logo, há necessidade de instruir o cristão sobre oportunidades e maneiras de administrar os seus dons e bens de um modo geral e de modo específico na sua contribuição para o sustento da igreja na sua missão no mundo. Nesse assunto, o cristão busca conselho com seus irmãos na fé. Reconhecendo a dificuldade que algumas congregações da IELB estão enfrentando em relação a sistemas de ofertas, a CTRE submete o presente parecer como uma orientação que visa levar as congregações a adotarem uma prática comum nesse assunto dentro da liberdade cristã (2Co 9.7, 8.8). Onde vemos contribuição generosa a Deus, à sua obra, ali podemos reconhecer a ação do Espírito Santo. Se há falta de contribuição generosa, a falta está na vida espiritual. Ofertar generosamente e voluntariamente é sinal da nova vida.
         Precisamos lembrar que os cristãos da macedônia estavam passando por severas aflições. Eram perseguidos e atribulados pelos não cristãos (At 16.20; Fp 1.28-29; 1Ts 1.6; 2.14; 3.3-9). Mas, essas dificuldades não interferiram na relação, cristão x Deus, e nem afetou a contribuição cristã. Bem ao contrário daquilo que ocorre hoje, qualquer dificuldade ou problema, as pessoas infelizmente se afastam da igreja. Não sei se a julgam como culpada, ou se é devido ao pré-conceito de que a igreja as irá criticar por determinada situação. Nos momentos ruins não podemos nos afastar daquele que nunca se afasta de nós. Cristo é a nossa companhia diária.
         Os historiadores dizem que quase toda a Grécia “estava numa terrível condição de pobreza e opressão no período em que Paulo arrecadou ajuda aos pobres de Jerusalém.” Portanto, mesmo assim, em meio a dificuldades pessoais e financeiras, as ofertas dos cristãos da Macedônia é semelhante a da viúva pobre a qual Jesus elogia. Precisamos lembrar que havia famílias ricas, como a de Lídia, mas, mesmo em meio a muitos pobres não houve recusa nem negligência no ofertar.
         Muitas pessoas se utilizam da pobreza como desculpa para não ofertar. Na verdade, a oferta não depende da riqueza. Ninguém é tão pobre que não pode ofertar nada. Se observarmos bem, veremos que são justamente os mais pobres que ofertam duas vezes mais que àqueles mais abastados financeiramente.
         Tudo o que somos e temos vem de Deus. E de tudo que recebemos de Deus, somos colocados como mordomos por Deus. Ou seja, somos administradores doe bens que Deus coloca a nossa disposição. Vale a nós cristãos perdoados em Cristo, amados em Jesus, administrar corretamente ofertando 100% à Deus. Eu na verdade, não gosto da expressão, “dizimo.” Pois a mesma nos faz apenas olhar para os 10% como obrigação e dever.
         Ofertar envolve muito mais que doar 10 % daquilo que recebemos de Deus. Ofertar envolve cuidado com a família, aquisição de propriedades, cuidado e zelo da igreja, ajuda na manutenção da pregação do evangelho, quer pelos cultos, programação de rádio, internet ou até mesmo por entidades sociais.
         Quando Jesus estimou a oferta da viúva pobre. Ele o fez por que de fato e de verdade, ela, mesmo sendo pobre doou 100%. Foi generosa em sua oferta, deu tudo o que possuía, sem se preocupar demasiadamente com o outro dia.
         Os macedônios, bem como a viúva pobre, mesmo em meio a dificuldades pessoais e financeiras fizeram sua oferta generosamente.

         Louvando a Deus com tudo que somos e temos afinal a pobreza não é empecilho para a Contribuição generosa. A palavra de Deus fala o oposto daquilo que nós arrumamos como desculpa para não ofertar. Nossa oferta é algo voluntário. Sem regra. É livre. É resposta ao amor de Deus em Jesus por nós. Assim, animados pela graça de Deus os macedônios deram acima de suas posses. Eles não lamentaram, não reclamaram da falta disso ou daquilo, simplesmente responderam ao amor de Deus com generosidade e prontidão. Cada cristão macedônio, bem como a viúva pobre viviam dependentes da graça de Deus. E por se reconhecerem dependentes da graça de Deus responderam com alegria e prontidão.
         A viúva pobre era o oposto dos escribas. Dos escribas se exigia que explicasse e atualizasse a lei em função dos novos tempos e dos problemas concretos que existiam. Esperava-se que fossem guias espirituais. Sem os escribas seria impossível resolver os casos difíceis. Eles interpretavam a lei, julgavam a lei, e erradamente viviam a lei. Enquanto a lei visava como objetivo o amor. Os escribas, bem como os fariseus viam na lei uma autopromoção de si próprios. Era para eles como alimento para o ego.
         E nesse culto, onde muitos estavam presentes, Jesus como sempre, observava e por suas observações ensinava seus discípulos. E o ensino de Jesus naquele culto iniciou-se tendo, propositalmente, sentado próximo ao gazofilácio. Observava como as pessoas traziam suas ofertas. E observando a postura inadequada dos interpretes das Escrituras, Jesus recomendou: “guardai-vos dos escribas....” E essa guardar implicava que através de supostos gestos piedosos, ou até mesmo de supostas ofertas maiores, justificavam suas graves faltas.
         No entanto, Jesus chamou a atenção para a oferta da viúva pobre. Aquela a qual nós também tantas vezes desprezamos. Por que Jesus se admirou da oferta da viúva pobre?
         Naquela época não havia sistema de aposentadoria assim como nós temos aqui no Brasil. As viúvas precisavam ser sustentadas. Por isso a advertência do apóstolo Tiago: “Para Deus, o Pai, a religião pura e verdadeira é esta: ajudar os órfãos e as viúvas nas suas aflições e não se manchar com as coisas más desse mundo” (Tg 1.27). E sua admiração foi que, ao invés dela ser sustentada devido a sua idade e dificuldade financeira, justamente, sem olhar para a sua dificuldade, sem reclamação, nem murmuração, se propôs a ofertar tudo o que tinha. Sua oferta não foi qualquer coisa, ou aquilo que lhe sobrava, ao contrário, ofertou tudo quanto possuía. Tudo o que lhe era necessário para comprar pão para não passar fome, ela ofertou, na certeza de sua dependência de Deus.
         Deus nos ajude a sermos exemplos de oferta como os macedônios e como a viúva pobre.
         Louvando a Deus com tudo que somos e temos, pois, a pobreza não é empecilho para a Contribuição generosa. E quem foi que disse que nós somos pobres? Somos ricos. Possuímos o maior tesouro, a Bíblia. Temos o maior de todo os dons, a . Recebemos a maior de todas as heranças, a vida eterna. Somos membros da maior família do mundo, família de Deus.

       Há inúmeros motivos para ofertarmos generosamente ao reino de Deus sem queixas e reclamações, mas com alegria e certeza de que tudo que somos e temos vem de Deus, o criador dos céus e da terra. E de que desse mesmo Deus somos dependentes e prometeu que nada nos faltaria, nem mesmo daquilo que ofertarmos. Amém!
Pr Edson Ronaldo Tressmann
Auxilio Bibliográfico
AZARIAH, Vedanayagam Samuel. Contribuição Cristã. Imprensa Metodista. São Paulo, 1957.
Arquivos do PEM. Parecer da 53º Convenção Nacional da IELB.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Com um coração sincero eu te louvarei à medida que for aprendendo os teus justos ensinamentos


Tema do mês: Fundamentados em Jesus – “com um coração sincero eu te louvarei à medida que for aprendendo os teus justos ensinamentos” (Sl 119. 7)
04/11/12 – 23º Domingo após Pentecostes

Sl 119. 1 - 8; Dt 6. 1 - 9; Hb 9. 11 - 14; Mc 12.28 - 37
Tema:  Com um coração sincero eu te louvarei à medida que for aprendendo os teus justos ensinamentos

         O tema do mês de novembro na paróquia de Querência do Norte é Fundamentados em Jesus – “com um coração sincero eu te louvarei à medida que for aprendendo os teus justos ensinamentos (Sl 119. 7). Por isso, Deus já desde o antigo testamento insistiu na disciplina do inculcar.
         Perdemos a disciplina. E a falta de disciplina se reflete na falta de educação. E se levarmos em consideração o fato de que outubro é o mês da educação teológica na IELB, novembro, o mês da Mordomia e também o ultimo mês em que iremos abordar o tema: Fundamentados em Jesus, as palavras de Moisés em Deuteronômio nos levam ao fundamento doutrinário que está quase em desuso entre nós. Ouçamos: “Ouve, Israel, o SENHOR, nosso Deus, é o único SENHOR. Amarás, pois, o SENHOR, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força. Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te. Também as atarás como sinal na tua mão, e te serão por frontal entre os olhos. E as escreverás nos umbrais de tua casa e nas tuas portas” (Dt 6. 4 – 9)
         As palavras tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te são palavras a um povo que está no deserto recebendo instrução para instruir as futuras gerações. Esse inculcar levaria a unidade, a identidade e claro o retorno ao fundamento.
         E para iniciarmos esse novo mês, novembro e a nova temática que é: Fundamentados em Jesus – “com um coração sincero eu te louvarei à medida que for aprendendo os teus justos ensinamentos” (Sl 119. 7), convido a você para que meditemos um pouco sobre os justos ensinamentos de Deus. E para que haja ensino é necessário um manual. O manual do cristão é a Bíblia. No entanto, a Bíblia não é compreendida por todos, por se tratar de um livro complexo, grande e de difícil compreensão. Hora as palavras bíblicas parecem ter clareza e coerência, horas parece ser incompreensível e contradizente com aquilo que foi dito anteriormente.
         Levando isso em consideração, queremos abordar um pouco sobre a importância e necessidade do catecismo. O catecismo não é maior, nem mesmo melhor que a Bíblia. Mas, o mesmo é o raio de sol. O Sol é a Bíblia, e o catecismo é um raio desse sol que nos ilumina. É a Bíblia do leigo, da serva e do jovem.

         Vamos relembrar algumas coisas importantes.
         1 – Quem escreveu o catecismo Menor?
         O Dr Martinho Lutero em 1529.
         2 – O que motivou Lutero escrever os Catecismos?
         Lutero fez visitas no eleitorado de Messein, entre 22 de outubro de 1528 e 9 de janeiro de 1529. vejam qual foi a sua reação: “A lamentável e mísera necessidade experimentada recentemente, quando também eu fui visitador, é que me obrigou e impulsionou a preparar este catecismo ou doutrina cristã nesta forma breve, simples e singela. Meu Deus, quanta miséria não vi! O homem comum simplesmente não sabe nada da doutrina cristã, especialmente nas aldeias. E, infelizmente, muitos pastores são de todo incompetentes e incapazes para a obra do ensino. (A mesma coisa se queixou Leonardo Martini, bispo de Mântua na Itália, que um dos principais colaboradores na feitura do catecismo romano). Segue Lutero: “Não obstante, todos pretendem o nome de cristãos, estão batizados e fazem uso dos sacramentos. Não sabem nem o Pai Nosso, nem o Credo, nem os Dez Mandamentos....
         Lutero escreveu simultaneamente dois Catecismos: O Maior e o Menor, ambos foram completados em 1529.
         No catecismo Maior, no segundo prefácio Lutero explica o termo catecismo: “Empreendemos esse sermão com a finalidade de que sirva de instrução a crianças e pessoas simples. Essa também é a razão por que desde a antiguidade se lhe chama em grego catecismo, isto é, instrução para crianças. Todo cristão, necessariamente, o deve conhecer. A quem o ignora não se poderia contar entre os cristãos, nem admiti-lo a qualquer sacramento”. Inculcar é instruir. E essa instrução acontece no dia-a-dia.
             Diz o texto bíblico: Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te.
         Lutero quando usou o termo catecismo, o fez de muitos sentidos: 1 – ato no ensinar o básico da religião cristã; 2 – material de instrução; 3 – Conteúdo de um livro; 4 – próprio livro.
         Lutero além de escrever o catecismo sempre pregava sobre o catecismo. Em 18 de maio e 14 de setembro de 1528, ele diz que “o catecismo é instrução ou ensino cristão” que deve estender-se, após o batismo, a todas as crianças e aos jovens e adultos sem preparo na doutrina cristã, pois “cada cristão precisa necessariamente conhecer o catecismo”.
         Lutero chama o catecismo da “Bíblia dos Leigos”, por ser o “sumário da Escritura toda”. O catecismo não foi inventado pela igreja para que as crianças passassem por um sacrifício. O catecismo existe para que tenhamos um aprendizado maior e melhor das Escrituras Sagradas.
         Naquela época Lutero observou que para a instrução religiosa havia apenas livrinhos como “Jardinzinho da Alma e Paraíso da Alma”. E esses livretos Lutero queria acabar com eles, pois havia orações aos santos, listas de vícios e virtudes, mas nada que falasse a respeito da essência do cristianismo, revelado no evangelho.
         Para isso, Lutero convocou as três grandes ordens sociais: O pastorado; família; autoridade civil; que é o mesmo que ordem eclesiástica; ordem econômica; ordem política. Assim ele iria difundir o catecismo. Pois como ele mesmo dizia: “mesmo como doutor quero permanecer aluno do catecismo sempre”.
         Então os dois grandes motivos foram: A situação espiritual deplorável e a preocupação com a educação cristã.
         3 - Porque toda essa preocupação de Lutero? O que estava em jogo era o cristianismo. Não bastava apenas ser batizado para enfrentar a vida. Era necessário um continuo alimento da Palavra de Deus.
         Lutero em sua Missa alemã na Ordem do culto deixou expresso: “Um cristão não precisa do batismo, da palavra e do Sacramento na qualidade de Cristão, uma vez que já possui tudo, e sim, na qualidade de pecador.
         Diante do pecado, a fé precisa refletir sobre seu conteúdo, para que, o povo simples e o jovem cristão sejam diariamente exercitados e educados na Escritura e na Palavra de Deus, para que fiquem familiarizados com a Bíblia, e assim se tornem hábeis, versados e sábios nela, prontos para defenderem sua fé e, no devido tempo, ensinarem a outros a ajudarem a expandir o Reino de Cristo.
         Esta é a tarefa das três ordens. Tanto que a sua ultima frase no catecismo Maior é: “pois todos eles têm de ajudar-nos a crer, amar, orar e lutar contra o diabo”.
         4 - Qual era o objetivo de Lutero com isso? Instruir a todos nas verdades bíblicas. Mas, Lutero preparou o ensino na igreja para que os pais aprendam e possam, depois, ensinar aos filhos e servos em casa, onde ele próprio na pode, normalmente entrar. O mesmo diz o salmista: com um coração sincero eu te louvarei à medida que for aprendendo os teus justos ensinamentos” (Sl 119. 7). Se não há conhecimento e compreensão da justiça de Deus, não há louvor. Lutero é exemplo disso. Ele odiava a expressão justiça de Deus por não compreendê-la, mas tendo a compreendido pelo estudo da Bíblia, passou a dedicar todos seus esforços para que mais e mais pessoas compreendessem essa mensagem. Eu louvarei ao meu Deus, à medida, em que for aprendendo os teus justos ensinamentos.
         O Catecismo Maior surgiu da série de três sermões de Lutero em 1528. Em Wittemberg o pastor estava ausente e Lutero usou o púlpito de 18 – 30 de maio; 14 – 25 setembro; 30 de novembro à 19 de dezembro. Por isso no prefácio do Catecismo Maior Lutero o chama “este sermão”.
         Como está o uso do catecismo entre nós? Lutero se esforçou anos para de uma forma resumida ensinasse ao povo as verdades centrais da fé cristã. Infelizmente, por não termos a disciplina de inculcar em nossos filhos as verdades da fé cristã, o catecismo chegou ao que se diz hoje: “Catecismo, chega de decorar, isso é ultrapassado. Relembremos a importância dada a repetição, e quem disse isso foi Deus por meio de Moisés: Ouve, Israel, o SENHOR, nosso Deus, é o único SENHOR. Amarás, pois, o SENHOR, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força. Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te. Também as atarás como sinal na tua mão, e te serão por frontal entre os olhos. E as escreverás nos umbrais de tua casa e nas tuas portas” (Dt 6. 4 – 9) e sendo assim, “com um coração sincero eu te louvarei à medida que for aprendendo os teus justos ensinamentos” (Sl 119. 7).
         O Catecismo Menor foi escrito para instruir por meio de perguntas e respostas, pois por meio da memorização era fácil o aprendizado e o ensino na família. Por outro lado o catecismo maior também era para ser lido na família, mas seu objetivo era servir de substrato para os sermões de pastores. O próprio Lutero fazia uso constante dele.
         O mais impressionante é que Lutero escreveu o Catecismo Menor sem nenhuma polêmica e os dois catecismos sem terminologias teológicas eruditas. Ele colocou diante do povo aquilo que é essencial: a salvação pela fé e a vida cristã. Isso distribuído em 7 partes no catecismo menor de uma forma magistral. Vale à pena estudar esse livro, a Bíblia dos leigos, todos os dias.
         Antes de encerrar o assunto:
         Depois dessa resumida explicação: Porque o catecismo de Lutero naquela época deu certo? As ordens estavam envolvidas seriamente nesse ensino. Houve seriedade na instrução. E quando foi que o povo de Deus se desviou dos caminhos do Senhor? Quando por indisciplina deixou de inculcar em seus filhos tudo o que Deus havia ensinado.

         Deixar de inculcar em nossos filhos as verdades centrais da fé cristã, é abandonar o verdadeiro fundamento que é Jesus. Toda a Escritura sagrada, bem como toda a doutrina cristã se resumo em só ponto: JESUS. E que Jesus seja para nós a motivação para termos disciplina no inculcar nos nossos filhos as verdades cristãs. Pois, fundamentados em Jesus – “com um coração sincero eu te louvarei à medida que for aprendendo os teus justos ensinamentos (Sl 119. 7).
Pr Edson Ronaldo Tressmann
Livro Base: Volume 7. Obras Selecionadas de Lutero, pp. .315 – 470.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Uma vez por todas


Tema do mês: Assim como crianças precisamos aprender!
28/10/12 – 22º Domingo após Pentecostes
Sl 126; Jr 31. 7 - 9; Hb 7. 23 - 28; Mc 10. 46 - 52
Tema: Uma vez por todas.

Ele não é como os outros Grandes Sacerdotes; não precisa oferecer sacrificios todos os dias, primeiro pelos seus próprios pecados e depois pelos pecados do povo. Ele ofereceu um sacrifício, uma vez por todas, quando se ofereceu a si mesmo

        Você compreende a expressão “uma vez por todas”?
        As Escrituras empregam duas palavras gregas que significam “de uma vez por todas.” No livro de Hebreus essa expressão aparece em 12 diferentes versículos. “Uma vez por todas” em Hebreus trata dos seguintes aspectos: pessoa de Jesus, oferta e sacrifícioAs duas palavras gregas para a expressão “de uma vez por todas” são:  legomena. Essa palavra expressa algo que nunca mais precisa ser repetido. Descreve algo pérpetuo, válido, permanente, duradouro e eterno. E ephapax, a qual o significado é o mesmo da palavra legomena. Mas, em ephapax temos a preposição grega epi. Esta adição não está ali por acaso. Sendo a Bíblia a própria palavra de Deus, é necessário entender que essa preposição fortalece e intensifica a palavra original, hapax. Isso significa que enquanto a palavra legomena significa válido, Ephapax de forma intensiva significa para sempre válido.
        Assim como crianças precisamos aprender que a expressão “de uma vez por todas” apresenta algo que diferencia o sacerdócio de Jesus dos outros sacerdotes.
        De acordo com o autor do livro de Hebreus, mesmo que não saibamos 100% quem ele é, aprendemos sobre a superioridade do sacerdócio de Jesus. Ele identifica Jesus como sumo sacerdote de acordo com a ordem de Melquisedeque. Mas quem é Melquisedeque?
        Melquisedeque aparece na história bíblica em Gn 14. 18 – 20. Conforme um termo teológico, definimos Melquisedeque como um antítipo de Cristo. É um sacerdote do Deus altíssimo. A superioridade do sacerdócio de Melquisedeque sobre o sacerdócio de Levi aponta para a superioridade do sacerdócio de Jesus sobre o de Arão. Mas, sendo Melquisedeque um sacerdote superior, porque era necessário um sacerdócio superior a ele? Os sacerdotes vinham da tribo de Levi. Jesus veio da tribo de Judá. A lei mosaica não dizia nada sobre os sacerdotes serem da tribo de Judá. Com Jesus o sacerdócio foi mudado. Essa mudança acarretou mudança na lei. Jesus não era sacerdote pela lei. Jesus é a certeza e garantia de um novo sacerdócio e de uma nova lei, uma nova aliança (Hb 7. 20 – 22). Jesus é um sumo sacerdote superior. Os sacerdotes leviticos eram fracos e pecadores. Jesus é santo e imaculado. Jesus, diferentemente dos sacerdotes leviticos, não precisava fazer oferenda por si mesmo. Assim como Melquisedeque, Jesus é um sumo sacerdote superior.
        Jesus foi feito um sumo sacerdote por um juramento de Deus, conforme Sl 110.4. Conforme Hb 7.3 sabemos que o sacerdócio de Melquisedeque não tem fim. Isso vale para Jesus. Os sacerdotes leviticos sempre precisavam ser substituídos, Jesus não.
        Em Jesus o povo encontra salvação que os sacerdotes leviticos não podiam dar. O sacerdócio de Jesus foi e é superior, pois ele mesmo foi o sacrifício. Ele se ofereceu em sacrifício.
        Os sacerdotes levitas precisavam sacrificar animais por diferentes pecados do povo e por eles mesmos. A repetição se devia ao fato de que seus sacrifícios não tinham poder permanente. A oferta de Jesus, no entanto, não precisa ser repetido, ele vale de uma vez por todas.
        Assim sendo podemos afirmar junto com o autor da carta aos hebreus que: “Ele não é como os outros Grandes Sacerdotes; não precisa oferecer sacrificios todos os dias, primeiro pelos seus próprios pecados e depois pelos pecados do povo. Ele ofereceu um sacrifício, uma vez por todas, quando se ofereceu a si mesmo.” Amém!

(Vale à pena continuar estudando o termo ephapax nas outras 5 ocorrências em Hebreus: 9.12; 9.26; 9.28; 10.2; 10.10).


Rev. Edson Ronaldo Tressmann
cristo_para_todos@hotmail.com

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Riqueza como Dom de Deus


Tema do mês: Assim como crianças precisamos aprender!
21/10/12 – 21º Domingo após Pentecostes
Sl 119. 9 - 16; Ec 5. 10 - 20; Hb 4. 1 - 13; Mc 10. 23 - 31
Tema: Riqueza como Dom de Deus.

         Em 2004, um francês de 62 anos foi hospitalizado com urgência. Ele estava com fortes dores de estômago. Em seu estômago havia uma massa que pesava cerca de 5,5 kg que fez com que seu estômago descesse até a altura do quadril. Cinco dias depois de sua hospitalização, o médico resolveu fazer a cirurgia e retirou a massa que estava em seu estômago. Infelizmente o paciente morreu alguns dias depois de complicações.
         O que chamou a atenção dos médicos foi a massa retirada do estômago daquele homem. Não era um câncer. A massa eram 350 moedas, equivalente a 650 dólares. Essa doença é uma síndrome que leva a pessoa a se alimentar de objetos como se fosse alimentos.
         Talvez estejamos dando graças a Deus por não sofrermos desse transtorno. Mas, a minha questão é simples: Será que não estamos doentes pelo materialismo e consumismo? Façamos um exame de nossa vida. Quanto tempo estamos dedicando ao nosso ganho material? Não que isso não seja importante. No entanto, quanto tempo estamos desperdiçando longe da família, da igreja?
         Salomão que é o autor do livro de Eclesiastes nos quer ensinar sobre o mau uso e abuso do dinheiro. Podemos, já que assim como crianças precisamos aprender, a olhar para esse texto de Eclesiastes 5. 10 – 20 e entender o que Deus quer nos ensinar sobre riqueza. E ao falar sobre riqueza podemos nos lembrar do provérbio italiano: “o dinheiro é um bom servo, mas um mau senhor.
         Assim como crianças precisamos aprender! Aprender que a Riqueza é um dom de Deus (Rm 12.8). E sendo um dom de Deus precisamos saber como lidar com ela.
         Jesus instruiu acerca do dinheiro e da riqueza. Das 38 parábolas, dezesseis discutem esse assunto. Além disso, há cerca de 2 mil versículos que lidam com a questão do dinheiro e das posses. Por que toda essa conversa sobre dinheiro? Como disse o prório Jesus: “Pois onde estiverem as suas riquezas, aí estará o coração de vocês” (Mt 6.21).  Deus quer nos eninar assim como se ensina a uma criança que o uso e as posses podem estar indicando onde estamos depositando a nossa confiança.
         No texto de Eclesiastes 5. 10 – 20 recebemos do homem mais sábio sobre a face da terra cinco valiosos ensinos sobre a realidade do dinheiro e duas verdades sobre Deus. Vejamos:
    Quanto mais se têm, mais se quer (Ec 5.10)
    Quanto mais se têm, mais se gasta (Ec 5.11)
    Quanto mais se têm, mais preocupações (Ec 5.12)
    Quanto mais se têm, menos se reparte (Ec 5. 13 – 14)
    Quanto mais se têm, mais tristeza (Ec 5. 15 – 17)
    Deus dá o trabalho como DOM (Ec 5.18)
    Deus dá a riqueza como DOM (Ec 5. 19 – 20)

         Vamos ao estudo desses 7 ensinos.
Quanto mais se têm, mais se quer (Ec 5.10)

Quem ama o dinheiro nunca ficará satisfeito; quem tem a ambição de ficar rico nunca terá tudo o que quer. Isso também é ilusão.

         Assim como crianças precisamos aprender!
         Salomão diz que o dinheiro não é o segredo da felicidade. Ao contrário, ele diz que o dinheiro é viciante e insatisfatório. Pois, se eu tenho um pouco, quero mais. Se eu tenho muito, quero mais. “Quem ama o dinheiro nunca ficará satisfeito;...”. É importante destacar que expressão quase idêntica é transmitida por Paulo: “Porque o amor do dinheiro é a raiz de todos os males; ...”. Assim como crianças precisamos aprender  que não é o dinheiro o nosso problema, mas sim, o amor, o apego ao mesmo. Estamos inseridos numa sociedade em que o materialismo e o consumismo aos poucos esta nos cauterizando e nos cegando e assim deixamos de ver coisas importantes. Há um ditado popular que diz: “o dinheiro é um amante ruim, pois quanto mais você o ama, menos ele te satisfaz”.
    Somos herdeiros de uma geração capitalista. E o capitalismo em seus primórdios cunhou a frase: “Deus abençoa quem cedo madruga”. E nessa ótica capitalista crescemos pensando: se eu tivesse mais dinheiro! Assim, os quadros de TV “Construindo sonhos” fazem tanto sucesso. Aliás, quem não quer ter casa própria.  Por isso deixamos de nos fazer perguntas importantes. Condicionamos a nossa felicidade ao ter. Consequência de um capitalismo pessimamente interpretado e praticado.
         Não sei a maioria de vocês já ouviram falar de John Davison Rockefeller (1839 – 1937). Esse homem foi um investidor. Homem de negócio e um filantropo estadunidense. Ele fundou a Standard Oil Company, a indústria do petróleo que foi o grande negócio de confiança dos Estados Unidos. Além de revolucionar a indústria do petróleo, ele também definiu a estrutura da filantropia. Com 53 anos era bilionário. Ganhava cerca de um milhão de dólares por semana. E para esse homem foi feita a seguinte pergunta: Quanto dinheiro você quer? E a sua resposta foi: “Apenas um pouco mais.” Assim como crianças precisamos aprender que quanto mais se têm, mais quer ter.
         Estamos desenvolvendo uma síndrome do amor ao dinheiro.  Não tê-lo é pior que passar fome, ou estar nu. É melhor ter dinheiro que não ter família. Aliás, a maioria dos problemas familiares é divida do dinheiro, ou seja, é por causa de dinheiro. Estamos enfrentando a síndrome de sorrissos abertos, afinal a péssima interpretação e prática do capitalismo nos conduziu a esse jeito de viver. E Salmoão diz que tudo é ilusão.
Quanto mais se têm, mais se gasta (Ec 5.11)

Quanto mais rica é a pessoa, mais bocas tem para alimentar. E o que ela ganha com isso é apenas saber que é rica.

         É claro que essa frase é uma questão de lógica. Quem mais tem, mais gasta, mais consome. Mais pessoas têm ao seu redor.
         Nosso desejo por dinheiro se deve ao querer consumi-lo. Imaginamos que o dinheiro nos dá tudo. Tanto que Salomão diz em seus provérbios: “Os ricos arranjam muitos amigos, mas o pobre não consegue conservar os poucos que tem” (Pv 19.4). Só que, por experiência de vida, podemos nos perguntar quais desses realmente são os amigos?
         Claro que a maioria desses amigos dependem das suas riquezas. São os que cuidam dos negócios. Os que gerenciam as propriedades, os banqueiros, os advogados, os contadores, empregados domésticos, guarda costa, etc. Os ricos têm amigos, mas, na grande maioria, esses, são os amigos que dependem deles, dos ricos. E quanto mais dinheiro, mais funcionários. E com muitos funcionários, mais dinheiro para prestar contas e mais problemas e inquietações. Então não pense que ganhar na mega sena te trará toda a felicidade do mundo. Por esse motivo o apostolo Paulo aconselha: “Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes” (1Tm 6.8).
         Quanto mais temos, mais gastamos. E claro, mais tempo gastamos com os negócios. E assim, quantas coisas boas perdemos por não termos tempo por estarmos ocupados com aquilo que temos para gastar.
Quanto mais se têm, mais preocupações (Ec 5.12)

O trabalhador pode ter pouco ou muito para comer, mas pelo menos dorme bem à noite. Porém o rico se preocupa tanto com as coisas que possui, que nem consegue dormir.

         Assim como crianças precisamos aprender que a riqueza não nos dá repouso e nem descanso. Ela traz consigo outra doença, a insônia. Quem está ocupado tem consigo as preocupações e assim se mata dia após dia. Mas aquele que trabalha apenas para comer, se deita e dorme tranqüilo e no outro dia, mesmo que lhe falte uma roupa melhor, segue sua vida sorrindo.
         O rico ao contrário, anda inquieto, pois comeu demais, esteve envolvido em muitos compromissos. Muita coisa acontecendo em sua vida e assim não relaxa. Coisas materiais não trazem paz e sossego, na verdade trazem consigo a ansiedade. Contra isso Jesus alertou: “Não se preocupem com a comida e com a bebida que precisam para viver nem com a roupa que precisam para se vestir ... nenhum de vocês pode encompridar a sua vida, por mais que se preocupe com isso” (Mt 6. 25ª, 27).
         Henry Ford o fundador da FORD disse certa vez que: “Eu era mais feliz fazendo um trabalho mecânico.” As ocupações que o muito dinheiro lhe deu, tiraram dele o que tinha de melhor para aproveitar sua vida.
         Lembremos novamente de John Davison Rockefeller. Mesmo bilionário aos 53 anos, faturando 1 milhão de dólares por semana, as preocupações o tornaram um homem doente, que viveu a base de biscoitos e leite e não conseguia mais dormir. E tendo tomado a atitude de espalhar seu dinheiro e não se deixar levar por ele ainda viveu e pode comemorar seus 90 anos.
Quanto mais se têm, menos se reparte, mais sofre (Ec 5. 13 – 14)

Eu tenho visto neste mundo esta coisa triste: algumas pessoas economizam dinheiro e sofrem com isso. Perdem tudo num mau negócio e assim não deixam nada para os filhos.

         Como pode uma pesso que tanto têm não repartir nada com ninguém. Quem de nós aqui já não disse ou ouviu essa frase?
         As riquezas nos tornam egoístas. Salomão diz que o entesouramento, o acumular riquezas são um grave mal. O que acumula riquezas só gera para si sofrimentos. Nós mostramos o que amamos pelo que fazemos com o que temos.
         Disse Jesus: “Não vos preocupeis...” (Mt 6. 24 – 34). E Salomão enfatiza que as pessoas que passaram a vida economizando para o futuro, de repente, são surpreendidas num mau negócio e ficam a ver navios. Não os aconselho a não se preparaem, mas, a lição que precisamos aprender do texto bíblico é o quanto somos vulneráveis.
Quanto mais se têm, mais tristeza (Ec 5. 15 – 17)

Como entramos nesse mundo, assim também saímos, isto é, sem nada. Apesar de todo o nosso trabalho, não podemos levar nada desta vida. Isso também é muito triste! Nós vamos embora deste mundo do mesmo jeito que viemos. Trabalhamos tanto, tentando pegar o vento, e o que é ganhamos com isso? O que ganhamos é passar a vida na escuridão e na tristeza, preocupados, doentes e amargurados.

         Assim como crianças precisamos aprender! Aprender por esses três versículos que o dinheiro é transitório e temporal. O dinheiro é servo do homem e não o homem servo do dinheiro.
         Uma pessoa nua é uma pessoa com terno da criação. Foi assim que viemos ao mundo e assim sairemos desse mundo. Só teremos roupa porque alguém colocará em nós.
         Disse Salomão num provérbio; “Não se mate de trabalhar, tentando ficar rico, nem pense demais nisso. Pois o seu dinheiro pode sumir de repente, como se tivesse criado asas e voado para longe como águia” (Pv 23. 4 – 5). Não podemos focar toda a nossa vida, energia e ação na riqueza. Atrás de uma nota de dólar há a figura de uma águia com as asas esticadas
para fora.  Isso indica o que a propria bíblia diz, o dinheiro voa de nossas mãos.
         Riqueza, bens, como disse o próprio Senhor Jesus podem ser destroçados pelas traças, levado pelos ladrões, e assim nos aconselha: “...ajuntem riquezas nos céus,...” (Mt 6.20). Como? Agarrando-se com os braços da fé em Jesus Cristo.
         Viver nossa vida querendo apenas acumular riquezas nos levará a decepção apontada por Salomão “Isso também é um grave mal, exatamente como um homem nasce, assim, ele vai morrer. Então, qual é a vantagem para aquele que labuta para o vento? Ao longo de sua vida, ele também come na escuridão com grande aflição, doença e raiva.
         Apesar do nosso trabalho, da nossa riqueza, vamos morrer. E obcecados pelo acumulo de riquezas estaremos deixando de aproveitar parte da vida eterna que já temos em união com Cristo Jesus nesse mundo. O dinheiro não os consola na solidão, na doença e na tristeza.
         Parece que essa mensagem não irá atingir o seu objetivo. Afinal, nosso tema é: assim como crianças precisamos aprender que a Riqueza é um dom de Deus.
         Salomão faz essa prescrição divina. E ele diz que esse entendimento é que dará satisfação, segurança e significado na vida. Ele diz: “Então cheguei a essa conclusão: a melhor coisa que uma pessoa pode fazer durante a curta vida que Deus lhe deu é comer e beber e aproveitar bem o que ganhou com seu trabalho. Essa é a parte que cabe a cada um. Se Deus der a você riquezas e propriedades e deixar que as aproveite, fique contente com o que recebeu e com o seu trabalho. Isso é um presente de Deus. E você não sentirá o tempo passar, pois Deus encherá seu coração de alegria.
         Salomão menciona Deus quatro vezes. E diz sobre as coisas boas que Deus nos concede. Vejamos:
Deus dá o trabalho como DOM
         Antes da queda o trabalho era algo agradável ao homem. O trabalho ainda faz parte da vida humana. Analisando profundamente, o trabalho é uma espécie de adoração. O trabalho traz recompensas que Deus quer oferecer aos seus filhos.
         O lado ruim do trabalho é que as dores e sofrimentos que ele nos provoca nos faz lembrar do nosso pecado. E como pecadores necessitamos de Jesus Cristo.
         E junto com o dom do trabalho
Deus dá a riqueza como DOM
         ...Se Deus der a você riquezas e propriedades e deixar que as aproveite, fique contente com o que recebeu e com o seu trabalho. Isso é um presente de Deus. E você não sentirá o tempo passar, pois Deus encherá seu coração de alegria.
         A riqueza é um dom de Deus. Observemos as palavras: “Se Deus der a você riquezas e propriedades...”. As mesmas querem nos ensinar que mesmo que o trabalho seja um dom, ele não é um dom por causa da riqueza. Se a riqueza vier como resultado do trabalho, não deixemos de desfrutar desse dom da melhor maneira possível. Não se escravizando nela. Nem sendo servo dela.
         A riqueza é um dom, no entanto, a beleza desse dom é reconhecer o que nos ensinam as leituras bíblicas desse dia.
         Primeiro olhemos para a leitura do salmo, onde ouvimos as palavras do salmista: “Fico mais alegre em seguir teus mandamentos do que em ser muito rico” (Sl 119. 14). E qual mandamento está atrelado ao dom da riqueza? Para essa resposta precisamos olhar em segundo lugar para o autor da carta aos Hebreus que disse: “Deus nos deixou a promessa de que podemos receber o descanso de que ele falou. Portanto, tenhamos muito cuidado para que Deus não julgue que algum de vocês tenha falhado, deixando assim de receber esse descanso” (Hb 4.1). E esse descanso em Deus é o que dá brilho ao dom da riqueza. Precisamos saber descansar em Deus.
         Assim como crianças precisamos aprender a lidar com a Riqueza como Dom de Deus. O terceiro mandamento me ensina a descansar em Deus. Ou seja, não importa o que eu tenho e sou e qual compromisso está agendado, nada pode substituir o meu ouvir com atenção a palavra de Deus.
         A maldição do trabalho é que nos afasta de Cristo. E esse é o perigo da própria riqueza. No culto da semana passada ouvimos sobre o homem rico que não quis vender o que tinha e seguir a Jesus. Ele não fez uso do descanso em Deus. E diante da constação de que é mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico ir para o céu os discípulos ficaram espantadíssimos.
         Temos medo das riquezas. Não sabemos como lidar com esse assunto. Aos ricos cabe o mesmo convite que é feito aos pobres, descansar em Deus.
            O dom de Deus é o nosso descanso no próprio Deus. Vivemos dias consumistas onde se valoriza o ter. E para ter precisamos ser escravos do tempo, do dinheiro e do trabalho. E como reféns do materialismo e capitalismo não descansamos em Deus. Passamos a julgar nossa habilidade, competência e sabedoria como responsáveis daquilo que temos e somos. Esquecemos de dar graças a Deus e de aproveitar na certeza de que Deus não deixará nada faltar, mesmo que tenhamos nosso descanso nele.
         Assim como crianças precisamos aprender a descansar em Deus. E esse descanso em Deus é o dom de Deus para a riqueza e também para a pobreza. O descanso de Deus é o dom que ele nos concede para esse tempo consumista.
         Que em Cristo possamos nos alegrar com nosso tabalho e com aquilo que temos, seja abundância ou pobreza. Que não sejamos gulosos pelo ter a ponto de perdermos aquilo que Deus nos oferece em Jesus, o seu eterno descanso. Amém!
Rev. Edson Ronaldo Tressmann
Algumas idéias foram retiradas do seguinte endereço:
http://bible.org/seriespage/naked-truth-ecclesiastes-510-20

A morte diária do ego! (Mt 16.21-28)

  30 de agosto de 2026 Próprio 17 – Décimo Quarto Domingo após Pentecostes Salmo 26; Jeremias 15.15-21; Romanos 12.9-21; Mateus 16.21-28...