segunda-feira, 6 de abril de 2026

O Cristo ressuscitado e o ministério do perdão! (Jo 20.19-31)

 12 de abril de 2026

Segundo Domingo de Páscoa

Salmo 148; At 5.29-42; 1Pedro 1.3-9; João 20.19-31

Texto: João 20.19-31

Tema: O Cristo ressuscitado e o ministério do perdão!

 

Muitas pessoas vivem a vida espiritual como que em um apartamento com as portas trancadas e as luzes apagadas. Muitos vivem no medo contemporâneo:

o medo de que nossos erros do passado vazem;

a culpa por termos falhado com quem amamos;

e a ansiedade paralisante sobre o amanhã;

No relato de João, os discípulos estão exatamente assim. Eles não estavam apenas escondidos dos judeus; estavam escondidos de si mesmos, carregando o peso de terem abandonado o Mestre na hora do sofrimento.

Imagine uma pessoa que, após cometer um erro grave no trabalho ou no casamento, se isola e não atende o telefone, esperando apenas o julgamento. É nesse cenário de portas trancadas pela culpa que o Cristo Ressuscitado aparece e diz: “Paz seja convosco”.

Jesus Cristo, ressuscitado, aparece e diz: “Paz seja convosco”.

Essa paz significa perdão dos pecados; significa que Jesus estava ali, vitorioso, mas não disposto a repreender e sim, trazer consolo aos pecadores assustados.

Paz seja convosco” não é uma mera saudação ou “oi” casual, é a própria mensagem do Evangelho.

Era necessário que Jesus proclamasse seu evangelho, pois os discípulos estavam cheios de medo e culpa por terem abandonado Cristo na hora do seu sofrimento. Dessa firma a primeira palavra do Cristo ressuscitado é perdão e reconciliação.

Jesus não veio para acusar, mas restaurar pecadores. A paz de Cristo é o resultado da justificação pela fé. Assim, quando ao final do culto nos saudamos com a paz de Cristo, estamos afirmando nossa justificação em Cristo.

Por essa razão, as palavras de Jesus Cristo: “Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio” é a manifestação do Cristo ressuscitado que institui e confirma o ministério da Igreja para que as pessoas deixem de ser acusadas pelos seus pecados e recebam a justificação perante Deus através de Cristo. Igreja não é detentora de moralidade. A Igreja detém o evangelho.

Esse envio fundamenta o ministério da Palavra. Deus instituiu o ministério para que o Evangelho e os sacramentos sejam administrados, por meio dos quais o Espírito Santo cria fé.

Assim, o texto mostra que Cristo envia ministros, para proclamar o Evangelho e aplicar o perdão de pecados.

          Jesus sopra sobre os discípulos e diz: “Recebei o Espírito Santo. Se de alguns perdoardes os pecados, são-lhes perdoados”.

          Esse versículo é base direta da doutrina do Ofício das Chaves. Qual é o seu ofício? Ou seja, o que você faz?

O ofício das chaves é àquilo que a igreja faz pela autoridade dada por Cristo à Igreja para perdoar pecados aos arrependidos e reter pecados aos impenitentes.

Lucas em Atos 5 nos apresenta a Igreja exercendo essa autoridade delegada. Quando Pedro e os apóstolos dizem perante o Sinédrio que “importa obedecer a Deus antes que aos homens” (At 5.29), eles estão protegendo o ministério que Cristo instituiu no cenáculo. O texto de Atos reforça que a autoridade da Igreja para pregar o perdão, mencionado explicitamente em Atos 5.31: “para dar a Israel o arrependimento e a remissão de pecados” vêm diretamente do Cristo exaltado, e nenhuma autoridade terrena pode silenciar esse “Ofício”.

O sopro do Espírito Santo sobre a igreja não significa que agora ela é poderosa em línguas estranhas e outros eventos. A igreja cheia do Espírito Santo exerce seu ministério da absolvição. Afinal, quando o pastor anuncia o perdão em nome de Cristo, é o próprio Cristo quem perdoa. A absolvição é uma promessa real de Deus aplicada ao pecador.

Caríssimo irmão e irmã no Senhor: a absolvição é verdadeira voz do Evangelho, não é uma mera declaração humana.

A quem perdoardes os pecados, são-lhes perdoados”. A absolvição proclamada na igreja é a voz de Deus.

          Naquele dia Tomé não estava presente. Parece não significar nada uma faltar um culto, mas, para Tomé, o prejuízo foi ter que suportar a dor da culpa e incredulidade por mais uma semana. Tomé não acredita no testemunho dos outros discípulos e exige: ver, tocar, experimentar.

          Temos aqui uma verdadeira revelação da fraqueza da natureza humana. Quando vezes, nos desesperamos quando a fé é fraca.

          A grande notícia é que Jesus Cristo não abandona os fracos na fé, ou quando a incredulidade bate a porta. Uma semana depois, Jesus se aproxima novamente e convida Tomé: “Põe aqui o teu dedo”. Esse foi o abraço de Jesus em Tomé. E diante desse abraço, Tomé faz uma das mais nobres confissões apresentadas no Novo Testamento: “Senhor meu e Deus meu”.

A dúvida de Tomé revela a tensão entre ver e crer. Tomé representa a fraqueza comum de todos os cristãos; afinal, até os apóstolos lutaram com dúvidas. E quão confortador é para nós lermos que Jesus Cristo não rejeitou Tomé, pelo contrário, concedeu sinais para fortalecer a sua fé. Jesus Cristo é paciente com a fé fraca, inclusive a sua.

Esse Tomé, alcançado pelo evangelho do perdão, confessa: “Senhor meu e Deus meu!” está fazendo uma das mais claras confissões da divindade de Cristo no Novo Testamento.

Essas palavras são as quais nós nos apoiamos para defender a cristologia contra erros cristológicos. Assim afirmamos que Jesus é verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Volto a repetir o motivo pelo qual confessamos nossa fé com as palavras do Credo. Ou seja, quando muitas igrejas não fazem uso do Credo, deve-se ao fato delas não terem essa verdadeira cristologia.

Após a dúvida e tendo Jesus aparecido a Tomé, é da sua boca que ouvimos o testemunho da união pessoal das duas naturezas em Cristo. As palavras de Tomé destroem qualquer tentativa de querer negar Jesus como verdadeiro Deus e verdadeiro homem.

          É claro que a fé não depende de experiência visível. A fé depende da Palavra de Deus. O pecador é justificado pela fé, uma fé que nasce e é alimentada quando se ouve o Evangelho. Somos, conforme a Palavra de Jesus, muito mais felizes e abençoados que Tomé, pois, mesmo sem ter visto Jesus fisicamente, cremos. Encontramos Cristo na Palavra e nos Sacramentos.

          Jesus disse para Tomé: “Bem-aventurados os que não viram e creram”. A fé não se baseia em visões, milagres e experiências místicas. Dessa forma, permaneça na Palavra mesmo quando os sentidos dizem o contrário.

          O apóstolo Pedro escreve “A quem, não havendo visto, amais; no qual, não o vendo agora, mas crendo, vos alegrais com gozo inefável e glorioso” (1Pe 1.8). O resultado prático da bem-aventurança é uma viva esperança que sustenta mesmo em meio a provações. O alvo da fé é a salvação da alma, algo que independe do toque físico que Tomé exigiu.

          No final do texto, João explica por que escreveu seu evangelho: “Estas coisas foram escritas para que creiais que Jesus é o Cristo”. A Escritura Sagrada nos foi dada para produzir fé e essa fé traz vida em Cristo. A função do Evangelho não é apenas informar fatos históricos, mas criar fé salvadora. Em outras palavras, a Escritura Sagrada é suficiente como testemunho de Cristo. O nome que carregamos em nossa igreja: Igreja Evangélica reforça que a Palavra de Deus é a única norma de doutrina, pregação e prática.

O evangelho não é apenas história; o evangelho foi escrito para produzir fé e trazer vida e salvação. A fé nasce da Palavra de Deus: sem a Palavra de Deus nem o mundo existiria.

          A pericope, João 20.19-31, ensina cinco coisas essenciais: (Repita comigo):

1.    A instituição do ministério da Palavra;

2.    O estabelecimento do ofício das chaves e da absolvição;

3.    A confissão da divindade de Cristo;

4.    A fé baseada na Palavra, não na visão ou milagre;

5.    O propósito evangelístico da Escritura, conduzir a salvação;

O Jesus Cristo que veio para nos resgatar na cruz, continua presente na Igreja através do Evangelho, da absolvição e dos sacramentos.

A fé dos cristãos de todas as épocas cumpre a bem-aventurança de Jesus: crer sem ver, confiando na Palavra apostólica registrada nas Escrituras. Assim, recebemos dessas palavras do apostolo João o consolo do Cristo ressuscitado, o poder do perdão dos pecados e a natureza da fé cristã.

          Jesus continua nos abraçando com suas palavras, em especial as palavras: “Bem-aventurados os que não viram e creram”. Feliz é você que, mesmo sem experiência pessoal com Cristo. Mesmo sem um milagre extraordinário, crê em Jesus.

          A fé verdadeira é confiar não no que os olhos veem, mas na promessa de Deus.

          As Escrituras Sagradas continuam entre nós para mostrar que Jesus é o Cristo; para produzir a fé e dar vida eterna.

          Ao sairmos daqui hoje, levemos conosco a certeza de que a nossa fé não é sustentada por aquilo que tocamos, mas por aquele que nos toca através de sua Palavra. Tomé precisou ver para crer, mas Jesus olhou através dos séculos, viu cada um de vocês e nos chamou de “bem-aventurados”. Por quê? Porque nós cremos sem ver.

Nossa segurança não reside em milagres visíveis ou em arrebatamentos emocionais, mas na autoridade do Ofício das Chaves: quando o perdão é anunciado, o próprio Deus está abrindo as portas do céu para você. A Igreja não é um clube de perfeição moral, mas o lugar onde pecadores cansados encontram o abraço de Cristo na Absolvição. Que a confissão de Tomé “Senhor meu e Deus meu!” seja o fôlego da sua vida nesta semana.

Nossa segurança não reside no nosso desempenho moral, mas na autoridade da cruz.

          Ao olharmos para a trajetória de medo dos discípulos e para a dúvida de Tomé, percebemos que a nossa própria história está refletida ali. Jesus, em sua infinita paciência, não nos descarta por nossa fé fraca; Ele nos abraça através do Evangelho e dos Sacramentos. A mensagem central deste texto é clara: a Igreja é o lugar da reconciliação, onde a voz do pastor ao anunciar a absolvição é a própria voz de Deus abrindo as portas do céu para o arrependido.

Portanto, não saia daqui hoje buscando sinais visíveis ou experiências místicas para sustentar sua caminhada. Saia com a certeza de que você é o “bem-aventurado” de quem Jesus falou. Nossa segurança não repousa no que sentimos, mas na promessa de que Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, o nosso “Senhor e Deus”. Que a Palavra de Deus, que foi escrita para que creiamos e tenhamos vida, seja a única norma da sua fé e o consolo para sua alma. Vá em paz, perdoado e fortalecido pelo Cristo que venceu a morte e hoje caminha ao seu lado. Amém.

 

Edson Ronaldo Tressmann

O Cristo ressuscitado e o ministério do perdão! (Jo 20.19-31)

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