quinta-feira, 26 de dezembro de 2024

As roupas do novo homem no novo ano!

 Primeiro Domingo após Natal

29 de dezembro de 2024

Salmo 111; Êxodo 13.1-3,11-15; Colossenses 3.12-17; Lucas 2.22-40

Texto: Cl 3.12-17

Tema: As roupas do novo homem!

 

Você já comprou roupas novas para a virada do ano?

Com qual cor de roupa você irá virar o ano?

Qual é o seu desejo para o ano de 2025?

O apostolo Paulo fala sobre roupas novas para um novo ano.

Vistam-se:

1 – de misericórdia;

2 – de humildade;

3 – de delicadeza;

4 – de paciência;

O apostolo Paulo usa o verbo “revestir, vestir” (Cl 3.10,12, ἐνδύω) para se referir ao novo homem. Com esse verbo, Paulo realça os traços específicos desse novo homem e como esses “trajes” (misericórdia, humildade, delicadeza e paciência) são exibidos na convivência dentro da congregação.

As roupas (misericórdia, humildade, delicadeza e paciência) apresentam o comportamento do homem recriado, renascido, no relacionamento de uns com os outros.

Ao enumerar esses trajes (misericórdia, humildade, delicadeza e paciência) o apostolo Paulo apresenta uma pessoa de fácil convivência. Apresenta uma figura simpática, paciente e dócil; alguém que vive longe de encrencas, rancores, inimizades e queixas.

Vocês são povo de Deus (Cl 3.12) - ἐκλεκτοὶ τοῦ θεοῦ.

A igreja é o povo que, sem mérito algum, mas pela graça divina é de Deus. E o status da igreja é que ela é santa e amada - ἅγιοι καὶ ἠγαπημένοι.

Dizer que o povo de Deus é santo significa que, foi separado para os sábios propósitos de Deus. Em outras palavras, por meio do seu povo, Deus realiza seus planos na história (Ef 2.6-7; 1Tm 3.15). E para realizar esses planos, Deus veste os seus com suas roupas (misericórdia, humildade, delicadeza e paciência) e por elas cultiva suas relações internas.

Que atitude o cristão precisa nutrir no trato com outro cristão?

Misericórdia - “profunda compaixão” (σπλάγχνα οἰκτιρμοῦ).

Essa palavra grega fornece a figura de um sentimento de ternura presente nas entranhas da pessoa. Uma sensação afetiva real e profunda que parte do mais íntimo do ser. É preocupar-se em verdadeira sensibilidade diante de alguém que sofre. Compadecer-se da dor do outro. É um não a indiferença.

Com essa palavra, o desejo de Paulo é encorajar os cristãos no trato entre si (Fp 2.1).

Que atitude o cristão precisa nutrir no trato com outro cristão?

Bondade – χρηστότης. Esse é mais um fruto do Espírito Santo (Gl 5.22-23). É uma disposição generosa de ser útil na promoção da felicidade das pessoas. Ser cortês e gentil. Fazer com que o outro se sintam bem. É ser uma pessoa fácil e agradável de caminhar.

Que atitude o cristão precisa nutrir no trato com outro cristão?

Humildade – ταπεινοφροσύνη. Qualidade de uma pessoa que conhece a realidade de sua própria pequenez e limitação. O homem humilde tem um conceito modesto de si. A humildade se manifesta na prontidão em “abrir mão” do próprio interesse em prol do outro (Fp 2.3-4). Jesus é o maior exemplo de humildade (Fp 2.5-8).

Que atitude o cristão precisa nutrir no trato com outro cristão?

Mansidão – πραότης. Uma virtude que reúne traços da bondade como da humildade. O que se destaca no homem manso, é a sua serenidade mesmo diante dos mais terríveis dissabores da vida. Quando esses dissabores surgem por conta do convívio com os outros, ele não explode em fúria descontrolada, nem se mostra teimoso ou obstinado. Antes, dispõe-se a ceder ou, quando preciso, age com gravidade, sem nunca perder a disposição pacífica e o domínio de si (Gl 6.1; 2Tm 2.24-25).

Que atitude o cristão precisa nutrir no trato com outro cristão?

Paciência – μακροθυμία. O homem manso é paciente, é tolerante, clemente, tardio na iniciativa de punir. É o indivíduo que suporta firmemente a ofensa, sendo demorado para reagir ou romper o relacionamento. O homem paciente é também perseverante. Não busca retribuir o mal que sofre.

Ser paciente pode ser compreendido com as palavras do v.13: “Suportem-se uns aos outros”. Ou seja, ser paciente é dar suporte àqueles que estão curvados sob algum fardo excessivo. Significa aturar pessoas que, de alguma forma, incomodam.

A igreja, composta por pessoas de diferentes idades, origens, culturas e formações, é chamada a conviver em plena harmonia, disposição de aguentar costumes, concepções, atitudes, palavras e gestos que irritam (ἀνέχομαι, Mt 17.17; 2Co 11.1).

O apostolo Paulo conecta o suportar com a necessidade de perdoar (χαρίζομαι).

No original, o verbo χαρίζομαι sugere a ação de agraciar alguém, mostrando generosidade (Rm 8.32). É um homem que cancela uma dívida (Lc 7.42).

Os cristãos precisam perdoar as queixas que porventura tenham uns contra os outros. Queixas – μομφή, são reclamações, censuras e recriminações.

Havendo perdão, críticas assim tendem a desaparecer e a igreja passa a desfrutar de um ambiente leve e alegre.

O modelo a ser imitado é o modelo da concessão do perdão. O perdão de Jesus é gratuito, completo e sem reservas. O perdão de Jesus Cristo redundou na restauração completa do seu relacionamento conosco (Rm 5.10).

Acima de tudo - ἐπὶ πᾶσιν δὲ τούτοις - de todas essas coisas.

A expressão com que o apostolo inicia o v. 14 sugere que a capa ou o sobretudo que deve cobrir todas as demais peças da vestimenta do cristão é o amor. Dessa forma, debaixo dessa virtude – amor - todas as demais (misericórdia, humildade, delicadeza e paciência) ficam protegidas e o cristão se apresenta completamente trajado.

Segundo o apostolo Paulo, a razão pela qual o amor deve ocupar um lugar tão notável está no fato dele ser o “elo perfeito” - σύνδεσμος τῆς τελειότητοςvínculo da perfeição”.

A palavra vínculo refere-se a algo com que se amarra ou conecta uma coisa a outra, prendendo-as fortemente. Paulo está transmitindo a ideia de unidade. O amor gera perfeita coesão entre os cristãos.

Paulo acrescenta a paz de Cristo como o juiz no coração de cada um (v.15).

A paz de Cristo - ἡ εἰρήνη τοῦ Χριστοῦ é, nesse contexto, a paz que o Senhor conquistou para a igreja e que ele quer que seus servos cultivem entre si (Ef 2.14-18).

A paz precisa servir como árbitro.

Paulo usa o verbo βραβεύω - cujo significado envolve decidir, controlar e determinar. Dessa forma, o que precisa determinar os rumos da caminhada cristã conjunta é a paz que Cristo quer que reine entre seus servos.

Sempre que houver um conflito de relacionamento dentro da igreja (ou mesmo a possibilidade de um conflito), as partes precisam, interiormente, se curvar diante das determinações da paz de Cristo, fazendo tudo o que porventura seja útil à restauração ou preservação da amizade e do ambiente leve, alegre e livre de perturbações (Rm 14.19; Ef 4.3; 2Pe 3.14).

Os santos, a igreja, é chamada para viver em paz como parte de um só corpo (Cl 1.18, 24; 2.19). Inseridos no corpo de Cristo, a Igreja, os cristãos são vocacionados para viver em paz (1Co 7.15). Nutrir antipatia, barreira, contenda, discórdia e mágoa é ser desleal com essa vocação.

O apostolo Paulo termina destacando que os cristãos precisam ser agradecidos (v.15) - εὐχάριστοι.

A igreja não é um grupo de murmuradores! Igreja não é um grupo de gente descontente que vive reclamando e formando o contexto ideal para brigas. O apostolo escreve que os cristãos nutram um espírito de gratidão a Deus. Mesmo que tal ato esteja repetido em dois versículos (v. 16-17), aqui no verso 15, a gratidão está ligada ao fato de pertencer ao corpo de Cristo.

O apostolo Paulo descrevendo as atitudes que um cristão deve nutrir no trato e na vivência com outros irmãos na fé. Além de ser pacífico e harmonioso, o relacionamento entre os cristãos precisa ser construtivo. Por essa razão, é necessário que a Palavra de Cristo habite ricamente em cada um (Rm 15.14).

Palavra de Cristo” - Ὁ λόγος τοῦ Χριστοῦ - é expressão única no Novo Testamento e evidencia a preocupação do apostolo Paulo na igreja ter a pessoa de Cristo como Senhor absoluto da igreja.

Em outras passagens bíblicas, é usada a expressão “palavra de Deus’ (At 4.31; 6.7; 8.14; 1Ts 2.13; 2Tm 2.9) ou “palavra do Senhor” (At 8.25; 13.49; 1Ts 1.8; 2Ts 3.1).

A “Palavra de Cristo” precisa habitar ricamente no cristão - ἐνοικείτω ἐν ὑμῖν πλουσίως. A Palavra precisa estar viva, enchendo de maneira completa a mente e coração, de forma que o cristão seja amplamente influenciado por ela (1Jo 2.14) e a faça transbordar para os outros.

No versículo 16, Paulo escreve aos cristãos para que cantem hinos a Deus.

O uso dessas canções não objetivava apenas o louvor em si, mas à instrução e à correção.

Em Colossos, falsos mestres do gnosticismo expunham uma falsa espiritualidade manifesta em transes e êxtases emocionais.

Os cânticos entoados durante o culto devem ser veículos de ensino da sã doutrina e não apenas meios de enlevo emocional ou simples fontes de deleite musical para todos os gostos.

A expressão “salmos, hinos e cânticos espirituais” (aqui e em Ef 5.18-20) aparece associada à gratidão.

Dessa maneira, Paulo instrui expressamente os colossenses a cantarem a Deus “com gratidão”. χάρις, alegria, prazer, deleite, doçura e boa vontade. Com isso, o apostolo quer enfatizar que a reunião dos cristãos precisa ter instrução, e nunca deixar de ser leve, bonita, feliz e restauradora.

Assim, “tudo o que fizerem” em palavras e ações, no discurso, na conversa, na escrita, no canto e na oração façam tudo “em nome do Senhor Jesus” (v.17), ou seja, atue como representante de Jesus, sob sua autoridade. E dessa forma “... dando por meio dele graças a Deus Pai” (v.17).

Muitas vezes o homem é instado o fazer algo por força do dever e não da vontade. Nesses momentos, reclamações e murmurações são comuns, de modo que tanto as palavras como as ações do cristão deixam de refletir a conduta própria de alguém que faz tudo “em nome do Senhor Jesus”. Amém!

Edson Ronaldo Tressmann

segunda-feira, 23 de dezembro de 2024

“Glória a Deus nas alturas, paz na terra, boa vontade para com os homens” (Lc 2.14)

 Mensagem de Natal 2024

Texto: Lucas 2.14

Tema: Glória a Deus nas alturas, paz na terra, boa vontade para com os homens” (Lc 2.14)

 

Mais uma vez natal!

Mais uma vez em que muitos torcem o nariz e se colocam contra o Natal.

Muito me entristeceu quando fui desejar um feliz natal e a pessoa me respondeu: não compactuo com seu pensamento. Olha que moro numa cidadezinha de 12 mil habitantes. O que dizer sobre os grandes centros urbanos.

Quantas pessoas estão se deixando levar por argumentos e se colocam contra o Natal.

É tempo em que os famigerados destacam motivos para não celebrar o Natal. Esses se acham cheios de razão e esnobam os que celebram o Natal de Jesus. Até escuto as risadas.

Enquanto dizem que não vão celebrar o Natal por isso ou aquilo, eis que os anjos celebraram cantando: “Glória a Deus nas alturas, paz na terra, boa vontade para com os homens” (Lc 2.14).

O argumento preferido é que Jesus não nasceu no dia 25 de dezembro e que essa é uma data designada por Roma numa aliança pagã no século IV.

Sim, possivelmente Jesus nasceu em setembro ou outubro. Todavia, na expectativa de evangelizar os pagãos, e essa é a missão primordial da igreja, sugeriu-se 25 de dezembro para levar os pagãos que celebravam o sol para celebrarem o nascimento de Jesus. Se a pessoa não é capaz de compreender isso, é uma pena e uma lástima.

Preciso lembrar para você que uma das doutrinas fundamentais do cristianismo é a encarnação do Verbo (Jo 1.14; 1Tm 3.16). Doutrina essa expressa nos três Credos ecumênicos da Igreja Cristã. E o Natal me lembra essa confissão de fé. Pare de se opor a isso, ao contrário, seja testemunha de Cristo e não se coloque contra Deus e sua missão Redentora apenas por orgulho acadêmico. Recorde-se que Deus usa os loucos para envergonhar os sábios (1Co 1.27).

A missão redentora de Deus em Cristo se dá num tripé: nascimento, morte e ressurreição (Gl 4.4; 1Co 15.1-4). Se Jesus não nasceu, também não morreu e nem ressuscitou. Dessa forma, vã se torna a fé (1Co 15.14-19).

Infelizmente transformaram o Natal numa festa consumista. Todavia àquele que nasceu, o verbo que se fez carne, deixou dito que seu reino não é comida, nem bebida, mas justiça e paz de espírito (Rm 14.17). E não há justiça e paz de espírito, sem o menino que nasceu em Belém para ser o Salvador.

Se o mundo transformou o Natal em mero comércio, isso não me autoriza a deixar de celebrar o Natal e agradecer a Deus por ter enviado seu Filho, sem o qual ninguém verá a Deus.

Tanto os anjos quanto os sábios do Oriente celebraram o menino que nasceu (Lc 2.14; Mt 2), mas, o ser humano em sua mesquinhez quer ser mais que os anjos enviados pelo próprio Deus para anunciar o Natal.

Pode até ser que a data não seja 25 de dezembro, mas isso não me importa. O que eu sei, confesso e creio, é que Jesus nasceu e eu quero celebrar seu nascimento. Por Jesus ter nascido, crendo nEle, mesmo que eu morra continuarei a viver eternamente.

Cuidado para não se agarrar no argumento da Babilônia, pois foi a Babilônia que levou o povo de Deus para longe da sua terra. E a Babilônia ainda quer manter pessoas longe de Cristo e assim, longe de Deus.

Cuidado para não querer ser um extremado legalista querendo agarrar-se em picuinhas. Ouça o apostolo Tiago: “Porquanto, quem obedece a toda a Lei, mas tropeça em apenas uma das suas ordenanças, torna-se culpado de quebrá-la integralmente” (Tg 2.10). Daí, você deseja não celebrar o Natal julgando cumprir a lei de Deus, mas, é raivoso em casa com a esposa e filhos, rancoroso com o próximo, .... A lei que se diz cumprir em não guardar o Natal precisa ser observada 100%. Não só a de se colocar contra o Natal.

Natal vai além da data 25 de dezembro. Natal é o dia em que celebro a fidelidade de Deus em cumprir sua promessa. De maneira especial a promessa do Éden. A promessa anunciada para Adão e Eva de que pelo descendente da mulher traria toda a raça humana de volta ao Paraíso (Gn 3.15).

Observe que a Bíblia inicia sua história num jardim e termina numa cidade. Tanto jardim, quanto a cidade, é a vida com Deus na eternidade. E para que essa eternidade com Deus seja uma realidade na sua vida, Jesus precisou nascer, morrer e ressuscitar. Sem Jesus não há Redenção e o apostolo Paulo já deixou escrito que o “deus deste século” deseja manter a mente das pessoas na escuridão (2Co 4.4), ou seja, sem Jesus Cristo.

Combater o Natal é tornar-se um inimigo de Jesus Cristo.

Desculpe-me ser irônico, mas, desde criança por ter sido abençoado em nascer e crescer num lar cristão, eu celebro o Natal de Jesus e só aprendi que o Natal deixa de ser o Natal de Jesus quando me tornei pastor e precisei lidar com argumentos até então desconhecidos por mim.

Celebrar o Natal pra mim é comemorar, como escreveu o autor a carta aos Hebreus, a expressão exata do ser de Deus (Hb 1.3).

A encarnação do Filho de Deus é para mim motivo de tanta alegria, que a birra dos famigerados não consegue cessar.

Cuidado com o anticristo (1Jo 4.3). O anticristo é todo aquele e tudo aquilo que me afasta de Cristo Jesus e, estando afastado de Cristo, corre-se o perigo de ser um anticristo, ou seja, afastar outros de Jesus Cristo.

Natal mais uma vez!

Como é bom celebrar que o verbo se fez carne.

Natal é muito mais que um dia! Natal é uma questão de eternidade, afinal, àquele que nasceu, também morreu e ressuscitou. “Glória a Deus nas alturas, paz na terra, boa vontade para com os homens” (Lc 2.14). Amém.

 

Edson Ronaldo Tressmann

segunda-feira, 16 de dezembro de 2024

O espírito de espera e confiança na promessa de Deus.

 Quarto Domingo no Advento

Rorate Coeli

22 de dezembro de 2024

Salmo 80.1-7; Miquéias 5.2-5a; Hebreus 10.5-10; Lucas 1.39-56

Texto: Lc 1.39-56

Tema: O espírito de espera e confiança na promessa de Deus.

 

O “Rorate Coeli” representa o espírito de súplica e expectativa do Advento: o espírito de espera e confiança na promessa de Deus. Nessa expectativa ouvimos a saudação de Isabel à Maria e o cântico de Maria.

Lucas fez o registro de 5 cânticos, que os estudiosos consideram como sendo os últimos dos salmos e os primeiros hinos cristãos.

Lucas registrou o Beatitude (Lc 1.42); o Magnificat (Lc 1.46-55); o Benedictus (Lc 1.68-79); glória in excelsus Deo (Lc 2.14); e o Nunc Dimits (Lc 2.29-32).

Para Lucas o evangelho é musical, ou, diante do que Deus faz apenas louvamos e adoramos.

Aristóteles anotou que “a música, usada dignamente, é um dos meios mais eficientes para educação e a instrução de um povo ... Ela tem tanta relação com a formação do caráter, que precisamos ensiná-la às crianças”.

Após essa introdução, vamos analisar alguns aspectos do texto de Lucas 1.39-56 e observar o quanto Isabel e Maria tinham o espírito de espera e confiança na promessa de Deus.

A saudação de Isabel: “Você é a mais abençoada de todas as mulheres, e a criança que você vai ter é abençoada também!” (Lc 1.42) significa dizer que àqueles que permitem a obra de Deus em suas vidas e estão submetidos aos planos de Deus, são bem-aventurados.

O cântico de Maria (Lc 1.46-55), conhecido como Magnificat, há citações de 12 livros diferentes do antigo testamento (Gn, Ex, Dt, 1 e 2Sm, Jó, Sl, Is, Ez, Mq, Hc, Zc).

Isso mostra que Maria, mesmo jovem, entre seus 14 e 16 anos, conhecia profundamente as Escrituras e tinha nelas o espírito de espera e confiança na promessa de Deus.

Quando Maria descreve o cumprimento das promessas, sua boca exclamou: “A minha anuncia a grandeza do Senhor. O meu espírito está alegre por causa de Deus, o meu Salvador” (Lc 1.46). O objeto da sua adoração era o Filho, Jesus.

Ao ouvir a saudação da Isabel: “Você é a mais abençoada de todas as mulheres, e a criança que você vai ter é abençoada também!” (Lc 1.42) e o cantar de Maria: “A minha anuncia a grandeza do Senhor. O meu espírito está alegre por causa de Deus, o meu Salvador” (Lc 1.46). Aprendemos que felizes são àqueles que foram chamados para realizar algo no plano de Deus e que é alegre àquele que recebe Jesus e o engrandece.

As palavras de Maria: “A minha anuncia a grandeza do Senhor. O meu espírito está alegre por causa de Deus, o meu Salvador” (Lc 1.46), destacam o agir de Deus na história e esse Deus é Salvador (Lc 1.47), Poderoso (Lc 1.49), Santo (Lc 1.49), Misericordioso (Lc 1.50).

Com Isabel e Maria aprendemos sobre a felicidade e a alegria em servir a Deus, mesmo que isso custe ser mal-entendido. Com Maria e Isabel aprendemos a cultivar o espírito de espera e confiança na promessa de Deus. Amém!

Edson Ronaldo Tressmann

segunda-feira, 9 de dezembro de 2024

Alegria em Jesus não é uma falsa ilusão! (Fp 4.4 e Lc 7. 23)

 Terceiro Domingo no Advento

Gaudete

15 de dezembro de 2024

Salmo 85; Sofonias 3.14-20; Filipenses 4.4-7; Lucas 7.18-35

Texto: Fp 4.4 e Lc 7. 23

Tema: Alegria em Jesus não é uma falsa ilusão!

 

A expressão “gaudete” está no imperativo plural do verbo latino “gaudere”, que significa “alegrar-se”. “Gaudete” é traduzido por “alegrai-vos”.

Alegrai-vos sempre no Senhor. De novo eu vos digo: alegrai-vos! O Senhor está perto” (Fp 4.4ss).

Você está feliz? O que te deixa feliz? Qual presente te deixaria feliz?

A alegria do mundo procede das coisas exteriores. Alegria essa bem diferente da alegria cristã. A alegria do cristão é fruto de estar unido a Cristo.

Paulo está preso, e mesmo sem saber se seguirá preso, se será condenado a morte ou liberto, escreve para que os filipenses fiquem alegres! Como é possível?

Paulo mostra que a alegria não depende de circunstâncias externas, mas do estar enraizada, ou seja, num relacionamento com Cristo. Devido ao relacionamento com Cristo, sempre houve, há e haverá uma perspectiva positiva, mesmo em tempos difíceis e cheios de negatividade.

A alegria descrita por Paulo advém do reconhecimento dos propósitos de Deus nas provações que ele estava enfrentando. Além do reconhecimento, o apostolo também compreendia que tudo contribuía para difusão e impacto do evangelho. A partir disso, Paulo enfatiza que as provações dos filipenses os aproximam de Cristo. Assim sendo, alegrem-se em Cristo, pois ele está próximo de vocês (Fp 4.4).

A carta aos Filipenses é considerada como sendo a carta da alegria. A “alegria” flui desde o início até o fim da carta (Fp 1.3; 1.4; 1.18; 1.25; 1.26; 2.2; 2.17; 2.18; 2.28; 4.1; 4.4; 4.10).

Paulo estava preso, além disso, seu trabalho estava sob ataque de rivais. Algumas pessoas que professavam pregar o evangelho, apenas queriam prejudicar Paulo, bem como a difusão do evangelho.

Alegrai-vos sempre no Senhor. De novo eu vos digo: alegrai-vos! O Senhor está perto” (Fp 4.4).

O Senhor Jesus Cristo está próximo, perto, junto, não significa que o cristão está livre de dificuldades. O estar próximo significa que não há dificuldade capaz de separar o que crê do amor de Deus. Por isso, Jesus disse para João Batista: “felizes são as pessoas que não duvidam de mim!” (Lc 7.23).

João Batista, sem compreender o modo de Deus agir, sofrendo na prisão ouviu pelo recado de Jesus de que Jesus era o Messias anunciado e prometido pelos profetas. Ou melhor, Jesus dizia para João Batista: você não se enganou em seu ministério.

Muitas vezes, as evidências racionais e os argumentos humanos levam a dúvidas. Paulo aconselha: Alegrai-vos sempre no Senhor. De novo eu vos digo: alegrai-vos! O Senhor está perto” (Fp 4.4) e Jesus diz: “felizes são as pessoas que não duvidam de mim!” (Lc 7.23).

Temos dificuldades para crer. Em especial quando enfrentamos dificuldades que geram tristezas e insegurança!

Dúvidas causam sofrimento e angústia. Dúvidas surgem nas mais diferentes situações. Há quem vive enganado, pensando que terá dias melhores ao seguir a Cristo. Como ovelhas sendo guiadas para casa muitas vezes atravessamos o vale da sombra da morte (Sl 23.4), todavia, o Senhor está perto. E nesse Senhor, Paulo diz: “Alegrai-vos sempre no Senhor. De novo eu vos digo: alegrai-vos! O Senhor está perto” (Fp 4.4) e Jesus enfatiza: “felizes são as pessoas que não duvidam de mim!” (Lc 7.23). Amém.

Edson Ronaldo Tressmann

segunda-feira, 2 de dezembro de 2024

O Senhor continua vindo para salvar as nações. Arrependa-se! (Ml 3.7)

 Segundo Domingo no Advento

Populus Zion

08 de dezembro de 2024

Salmo 66.1-12; Malaquias 3.1-7b; Filipenses 1.2-11; Lucas 3.1-20

Texto: Malaquias 3.7

Tema: O Senhor continua vindo para salvar as nações. Arrependa-se!

 

O segundo domingo no Advento é tradicionalmente conhecido como Populus Zion. O motivo desse nome deve-se ao fato de ser as primeiras palavras latinas do Introito histórico atribuídas a este domingo.

Populus Zion significa “Povo de Sião” (Populus Zion, ecce Dominus veniet ad salvandas gentes =Povo de Sião, eis que o Senhor virá salvar as nações”).

O Senhor virá salvar as nações!

Quando o profeta Malaquias pregou ao povo de Deus, já havia se passado 100 anos desde o final do exilio babilônico. O povo ao invés de estar eufórico e cheio de esperança messiânica, continuava rebelde como seus antepassados. Apesar do Templo estar reconstruído, as coisas não andavam bem. Os israelitas eram infiéis, corruptos, injustos e a desigualdade social só aumentava.

O livro do Profeta Malaquias traz uma série de disputas entre o povo e Deus, Deus e o povo. Nas seis disputas narradas no livro, Deus faz afirmações e reinvindicações. E Israel ou discorda ou questiona. E como sempre, Deus oferece a última palavra.

A primeira disputa destaca Deus dizendo o quanto ama seu povo e o povo questionando como Deus os tem amado se as coisas não iam bem.

Na segunda disputa, Deus diz que o povo o tem desprezado. E o povo questiona como tem se dado esse desprezo. Deus responde dizendo que o povo profana o templo com ofertas vergonhosas e animais doentes.

A terceira disputa é Deus dizendo que o povo se virou contra Deus e as suas esposas. Quando o povo quer saber como isso tem sido, Deus indica a idolatria e o divórcio.

Na quarta disputa o povo diz que Deus os negligenciou e questiona: onde está o Deus justo? (Ml 2.17). A resposta de Deus é que enviará o mensageiro que preparará o caminho para o Senhor passar. Dentro dessa conversa eis que ocorre a quinta disputa, onde Deus chama seu povo de volta (Ml 3.7). E o povo pergunta: como voltar? Comecem pelo dízimo.

Devido a negligência no dízimo, o Templo está caindo em desuso. Ouça o que está escrito em Neemias referindo-se a essa época: “...os músicos do Templo e outros levitas haviam saído de Jerusalém e voltado para as suas fazendas porque o povo não estava dando o suficiente para o sustento deles. Então repreendi as autoridades por deixarem que o Templo ficasse abandonado...” (Ne 13.10-11). Um retrato realístico dos nossos tempos.

Assim como o mensageiro João Batista foi enviado, muitos são enviados para preparar o caminho de volta para Deus.

Infelizmente, muitas pessoas não aceitam a reprovação de Deus e querem, como foi na época do profeta Malaquias, discutir com Deus. Falam como se não entendessem o que Deus está falando ou como se Deus não soubesse com quem está lidando. Tanto naquela época, bem como em nossos dias, muitos julgam não ser necessário arrepender-se. Agem como agia o povo na época do profeta Malaquias: “Como é que vamos voltar?” (Ml 3.7).

É realmente necessário se arrepender?

Peço licença para contar para vocês a fábula de La Fontaine: o cordeiro e o lobo.

Um cordeiro estava bebendo água num riacho, onde o terreno era inclinado, e a correnteza era forte. Quando o cordeiro levantou a cabeça, avistou um lobo que também estava bebendo água naquele riacho.

- Como é que você tem a coragem de sujar a água que eu bebo - disse o lobo. O lobo estava alguns dias sem comer e procurava algum animal apetitoso para matar a fome.

- Senhor - respondeu o cordeiro - não precisa ficar com raiva e eu não estou sujando nada. Posso ir beber água uns vinte passos mais abaixo.

- Você agita a água – disse o lobo em tom ameaçador. E outra coisa, fiquei sabendo que você falou mal de mim um ano atrás.

- Não pode - respondeu o cordeiro.  – um ano atrás eu não era nascido.

O lobo pensou um pouco e disse: - Se não foi você foi seu irmão, o que dá no mesmo.

- Eu não tenho irmão - disse o cordeiro - sou filho único.

- Alguém que você conhece, algum outro cordeiro, um pastor ou um dos cães que cuidam do rebanho, e é preciso que eu me vingue. Então ali, dentro do riacho, no fundo da floresta, o lobo saltou sobre o cordeiro, agarrou-o com os dentes e o levou para comer num lugar mais sossegado.

Nessa fábula aprendemos que o mais forte sempre quer possuir razão e motivo para devorar o mais fraco.

Sempre se quer ter razões e motivos para fazer o que se está fazendo. “Como é que vamos voltar?” (Ml 3.7). Eu não preciso. Quem precisa é o outro!

Arrepender-se é mudar de mente! Mudar de rumo! Mudar de direção!

A missão de João Batista era proclamar o arrependimento, ou seja, aplainar o caminho. O caminho plano indica que o rei está chegando e as estradas para o rei passar precisam estar trafegáveis. Sem que as estradas sejam arrumadas, o rei não deixará seu palácio para visitar seu povo. E ao visitar seu povo, Deus, o rei dos reis deseja salvar.

O Senhor continua vindo para salvar as nações. O rei que virá para julgar, primeiro quer que seu povo se arrependa e assim viva e ao receber o rei, o receba com alegria. Amém!

Edson Ronaldo Tressmann

Deus continua tentando ganhar os lavradores maus (Lc 20.9-20)

  Quinto Domingo na Quaresma Dia 06 de abril de 2025 Salmo 126; Isaías 43.16 – 21; Filipenses 3.8 – 14; Lucas 20.9 – 20 Texto: Lucas 20.9 –...