05 de junho de 2016
3º Domingo após Pentecostes
Sl 30; 1Rs 17.17-24; Gl 1.11-24; Lc
7.11-17
Tema: Qual é o segredo da IELB para chegar
aos 112 anos?
Sua pregação não visa agradar pessoas!
A
IELB está completando 112 anos. Qual é o segredo? A
resposta correta a essa pergunta apresenta o verdadeiro DNA da Igreja
Evangélica Luterana do Brasil. Nessa mensagem, bem como nas próximas do mês de
junho, estarei abordando em rápidas pinceladas, breves linhas para uma resposta
adequada a pergunta sobre o segredo para se chegar com vida, entusiasmo e cheia
de planos aos cento e doze anos.

Quantas
empresas chegaram aos 100 anos no Brasil? Apenas 0,1% das empresas
no Brasil chegaram e passaram dos 100 anos. Das 14,5 milhões de empresas,
apenas 190 chegaram aos 100 anos de atividade no Brasil. As causas são as mais
variadas possíveis: crise, revoluções, mudanças na
constituição, trocas de moeda. A IELB não é uma empresa, mas também
enfrentou essas situações e mesmo assim continua vibrante, motivada e cheia de
planos para o futuro.
A
igreja não é uma empresa, apesar de ser administrada com viés empresarial. Seu
produto não é vendido, apesar de seus proclamadores receberem salário. Não é a
venda e a compra que faz seu caixa possuir saldo, mas as ofertas voluntárias de
seus adeptos. Não possui muitos associados, mas os poucos a mantém com amor e
afinco, de maneira voluntária e alegre.

As
mais variadas empresas surgiram de acordo com a demanda de determinado produto ter
se tornado necessário. Muitas empresas, preocupadas em não serem devoradas pelo
mercado e pela concorrência, formaram associações entre si. Muitas empresas
investem uma grande parcela de valores em marketing. Oferecem produtos de
qualidade e preços acessíveis. Tudo isso na expectativa de se manterem vivas,
ativas e com renda.
Para
as empresas se manterem no mercado é necessário agradar ao público.
O
apóstolo Paulo não é contra agradar pessoas. No entanto, combate o fato de que
muitos para agradar as pessoas o fazem distorcendo o verdadeiro ensino do
evangelho, ao qual o apóstolo Paulo chama de “outro evangelho”. Alguns pregadores
queriam agradar pessoas falando palavras agradáveis.
Alguns
pregadores na época do apóstolo Paulo ensinavam doutrina humana. Doutrinas aceitáveis
e agradáveis a razão humana. Há pregadores que falam para serem aplaudidos (Mt
6.2; Jo 5.44). A tarefa de um pregador não é persuadir pessoas a seu favor, sua
função e conduzi-los a Cristo.
As
consequências de buscar apenas agradar pessoas com um evangelho estranho ao
próprio evangelho, é fazer fanáticos que matam cristãos achando que estão
agradando a Deus.
Quando
ouvimos notícias como do dia 03 de abril de 2015, que dizia que o grupo da
milícia islâmica Al Shabaad deixaram 147 mortos e 79 feridos na universidade no
Quênia. Ou notícias que dizem que 100 mil pessoas por ano são mortas por um
único motivo: ser cristão.
Paulo
sabia muito bem que o fanatismo era perigoso. Escreveu aos Gálatas que “seu proceder no
judaísmo era tão fanático que perseguia a igreja de Deus e a devastava”
(Gl 1.13). Ele imaginava que por seu fanatismo estava agradando a Deus, mas,
não era bem assim. Sua perseguição à igreja cristã era por causa do seu zelo as
tradições religiosas e não o verdadeiro cristianismo (Gl 1.13,14; Fp3.6).
Da parte dos
homens há muitos tipos de evangelho!
Esses
muitos evangelhos estão criando fanáticos que matam e destroem toda a verdade
do verdadeiro evangelho. O evangelho verdadeiro é aquele anunciado pelo
apóstolo Paulo, “não
segundo o homem, porque eu não o recebi, nem aprendi de homem algum, mas
mediante revelação de Jesus Cristo” (Gl 1.11,12).
Qual é o
evangelho revelado por Jesus ao apóstolo Paulo? Jesus disse a Paulo:
“...Eu
apareci a você para o escolher como meu servo, a fim de que você conte aos
outros o que viu hoje e anuncie o que lhe vou mostrar depois. Vou livrar você
dos judeus e também dos não-judeus, a quem vou enviá-lo. Você vai abrir os
olhos deles a fim de que saiam da escuridão para a luz e do poder de Satanás
para Deus. Então, por meio da fé em mim, eles serão perdoados dos seus pecados
e passarão a ser parte do povo escolhido de Deus” (At 26.18).
A mensagem é que só
a fé em Jesus salva. Não se agrada a Deus através das ações somente
(Hb 1.6). Jesus é quem foi o sacrifício agradável a Deus. Todo aquele que crê
em Cristo, recebe a justiça de Cristo, “Pois o evangelho mostra como é que Deus nos aceita: é por
meio da fé, do começo ao fim. Como dizem as Escrituras Sagradas: “Viverá aquele
que, por meio da fé, é aceito por Deus”” (Rm 1.17).
O
apóstolo Paulo enfatiza que o mais importante não é o ensino humano, mas o
ensino do evangelho, Gl 2.14. Só se pode ouvir a igreja se a mesma está de
acordo com a Palavra de Deus.
O
apóstolo Paulo afirma que não foi chamado por merecimento. Na verdade o zelo a
tradição do seus pais o cegava para a graça de Deus.
Até onde nosso “zelo tradicional” está cegando para a
graça de Deus?
Deus
por sua graça chamou Paulo e chama a cada um de nós. Corremos o risco de nos tornar
piores do que éramos antes, sendo fanáticos e deixando de ser cristãos.
O
apóstolo Paulo na sua carta aos Gálatas ressalta que Deus o “chamou pela sua
graça”. Com isso o apóstolo Paulo ensina que Deus o chamou não por
aquilo que havia feito ou deixado de fazer. Não era ele o agradável a Deus.
Deus o chamou “somente
por sua graça”.
O verdadeiro Evangelho
revela o Filho de Deus.
Parece
ser fácil dizer que o Evangelho nada mais é que a revelação de Jesus Cristo.
Mas, no conflito da consciência e na prática, certamente, é difícil crer nesse
evangelho. Afinal, se o evangelho é a revelação de Jesus Cristo, certamente não
requer obras, não ameaça com a morte, não apavora as consciências. Cristo é o
objeto do evangelho. O evangelho apresenta a obra divina, doada a mim por mera
graça. Esse dom eu recebo somente pela fé.
O
apóstolo Paulo não quer agradar as pessoas com um evangelho que elas queiram
ouvir, mas insiste em mostrar a certeza de que seu Evangelho é a Palavra de
Deus, a revelação de Jesus Cristo.
Agradar as pessoas não é errado e
nem sequer ruim, mas em matéria de pregação, não se pode querer anunciar o que
agrada as pessoas, é preciso anunciar e proclamar a revelação de Jesus
Cristo. Amém!
M.S.T. Rev. Edson Ronaldo Tressmann
Bibliografia:
Martinho Lutero. Obras selecionadas,
Vol. 10. Interpretação do Novo Testamento: Gálatas e Tito. Ed. Sinodal,
Concórdia e Ulbra, São Leopoldo, Porto Alegre e Canoas, RS. 2008. pp. 76 - 94
Paulo F. Flor. Epistola aos Gálatas:
um comentário. Ed. Concórdia: Porto Alegre, RS. 2009.